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    Economia

    Pesquisa em Alagoas desenvolve inibidores de urease com potencial para o agronegócio e saúde

    29 de maio de 2026
    Pesquisa em Alagoas desenvolve inibidores de urease com potencial para o agronegócio e saúde
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    Avanços na eficiência da adubação no campo

    Um dos maiores desafios da agricultura brasileira é a perda de fertilizantes nitrogenados antes que sejam absorvidos pelas plantas. Essa dificuldade compromete a eficiência da adubação e eleva custos para o produtor rural. Em Alagoas, uma pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) está buscando soluções para esse problema por meio da química, resultando no depósito de cinco patentes com potencial de aplicação no agronegócio e também na área clínica.

    O estudo é conduzido pelo doutorando Emeson Santos, do Programa de Pós-graduação em Química e Biotecnologia da Ufal. Ele desenvolveu compostos inovadores capazes de inibir a urease, uma enzima que acelera a degradação da ureia no solo. Essa ação da urease provoca a liberação de amônia, levando à perda de nitrogênio, um nutriente essencial para o crescimento das plantas.

    Como os novos compostos podem transformar a agricultura

    A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no país, mas sua eficiência é limitada pela rápida degradação provocada pela urease presente no solo. A volatilização do nitrogênio reduz o aproveitamento do fertilizante pelas plantas e gera prejuízos econômicos e ambientais.

    Os inibidores desenvolvidos pela equipe da Ufal atuam exatamente para retardar ou bloquear essa enzima, permitindo que o nitrogênio permaneça disponível por mais tempo no solo. De acordo com Emeson Santos, isso aumenta a eficiência da adubação, diminuindo perdas e otimizando o uso dos fertilizantes.

    “Esses inibidores controlam a reação da urease, mantendo o nitrogênio disponível por mais tempo. Isso significa melhor aproveitamento do fertilizante, maior eficiência na adubação e redução dos impactos ambientais”, explica o doutorando.

    Superando limitações dos produtos atuais

    Atualmente, o principal inibidor comercial de urease é o NBPT. No entanto, esse produto apresenta limitações em solos ácidos e com alto teor de matéria orgânica — condições comuns nas áreas agrícolas brasileiras. Os compostos desenvolvidos pela pesquisa da Ufal mostraram desempenho superior ao NBPT, com maior potência de inibição e estabilidade em diferentes tipos de solo, incluindo variações de pH e matéria orgânica.

    Leia também: Conflito no Irã Aumenta Custos de Fertilizantes e Impacta Agronegócio Brasileiro

    Fonte: londrinagora.com.br

    Leia também: Conflito no Oriente Médio Eleva Preços de Ureia e Impacta Agropecuária do Nordeste

    Fonte: edemossoro.com.br

    Para Emeson, essa característica torna a tecnologia mais adaptada às realidades do campo no Brasil, podendo contribuir para uma agricultura mais sustentável e eficiente.

    Potencial econômico e inovação nacional

    Além do desempenho técnico, os novos compostos apresentam viabilidade econômica superior ao produto importado atualmente disponível no mercado. Isso abre caminho para o desenvolvimento de uma tecnologia nacional inserida na cadeia produtiva de fertilizantes, com ganhos para produtores e para a indústria local.

    “Os resultados indicam um avanço importante na inovação. Esses compostos podem ser mais eficientes e competitivos, o que reforça o potencial para aplicação comercial e geração de impacto econômico”, destaca o pesquisador.

    Inovação também na área da saúde

    Além dos compostos voltados para o agronegócio, a pesquisa desenvolveu nanopartículas de selênio com ação antifúngica. Testes laboratoriais mostraram resultados promissores contra fungos relevantes para a medicina e veterinária, como o Cryptococcus neoformans, responsável por infecções graves em pessoas com o sistema imunológico comprometido e em animais.

    O desafio das infecções fúngicas está relacionado à limitação de tratamentos eficazes, resistência aos medicamentos e toxicidade dos remédios convencionais. As nanopartículas de selênio se destacam por oferecer atividade antifúngica elevada, maior estabilidade e potencial redução dos efeitos tóxicos, segundo o pesquisador.

    Embora os resultados sejam animadores, a tecnologia ainda precisa avançar em estudos de segurança e eficácia em modelos biológicos mais complexos antes de ser aplicada na saúde humana ou animal.

    Próximos passos para levar a tecnologia ao mercado

    Apesar do sucesso inicial, a tecnologia ainda precisa passar por etapas adicionais para chegar ao setor produtivo. No campo agrícola, são necessários testes em diferentes solos, avaliações em campo, estudos agronômicos, análise de viabilidade técnica e econômica, além da formulação e escalonamento da produção.

    Emeson Santos destaca que o progresso depende da consolidação dos dados obtidos e da aproximação com empresas, institutos de pesquisa e agentes interessados em comercializar a inovação.

    “O caminho inclui fortalecer as conexões com o setor produtivo para que essas tecnologias possam chegar ao mercado e gerar impacto social e econômico”, enfatiza.

    Colaborações que fortaleceram a pesquisa

    O trabalho contou com a participação do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Também houve suporte do Laboratório de Inovação em Química Analítica (Linqa), do Instituto de Química e Biotecnologia da Ufal (IQB) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede Nacional de Inibidores de Ureases (INCT-Redniu).

    Essa integração mostra o potencial de Alagoas e do Brasil para produzir soluções inovadoras com impacto direto no agronegócio e na saúde, setores essenciais para o desenvolvimento regional e nacional.

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