Acidente trágico no sertão de Alagoas
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revelou que o ônibus envolvido no trágico acidente que resultou na morte de pelo menos 15 pessoas em São José da Tapera, a 215 km de Maceió, realizava transporte clandestino de passageiros. O veículo, que transportava cerca de 60 romeiros, partiu de Juazeiro do Norte, no Ceará, e estava a caminho de Coité do Nóia, cidade de origem da romaria, quando o acidente ocorreu por volta das 4h40.
Segundo nota da ANTT, o ônibus de placa JJB3D75 não possuía habilitação para operar na categoria e carecia de Certificado de Segurança Veicular (CSV) e de seguro de responsabilidade civil. Também foi mencionado que não havia uma Licença de Viagem (LV) válida para a rota em questão. Essa situação levanta sérias preocupações sobre a segurança dos passageiros que utilizam esse tipo de transporte.
Em entrevista, o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, afirmou desconhecer as irregularidades mencionadas e defendeu que todas as documentações estavam em ordem. “Realizamos um processo licitatório com uma prestadora de serviços, que pode usar seus próprios veículos ou sublocar outros. A documentação é de responsabilidade da empresa contratada”, declarou Higino.
Mais cedo, o prefeito havia informado que cerca de 800 romeiros estavam distribuídos em 17 ônibus, todos novos e equipados com ar-condicionado, televisão e banheiro. “Infelizmente, um dos ônibus se envolveu no acidente. Todos os feridos foram levados para hospitais e estamos tentando localizar as vítimas, pois a maioria não tinha documentos no momento da entrada”, relatou.
Um acidente com cenas de horror
O capotamento do ônibus ocorreu em uma área conhecida como “curva do S”, um trecho com histórico de acidentes e considerado perigoso. Testemunhas relataram que partes do veículo chegaram a pegar fogo após o acidente. O Corpo de Bombeiros de Alagoas informou que a retirada dos corpos foi concluída.
Paulo Roberto, assessor de comunicação de Coité do Nóia, estava em outro ônibus do grupo. Ele compartilhou sua experiência, dizendo: “Paramos em um posto de gasolina e o ônibus envolvido no acidente seguiu à frente. Quando chegamos, já estávamos vendo a cena aterradora. Era desolador, pessoas voando e gritando”.
O grupo partiu de Juazeiro do Norte por volta das 21h30 de segunda-feira (2). “A visibilidade era boa, não havia neblina, só estava escuro devido à hora. Não queríamos viajar à noite, mas foi uma decisão coletiva”, explicou.
Vítimas entre adultos e crianças
Entre os mortos, estão cinco homens, sete mulheres e três crianças. Os sobreviventes foram imediatamente socorridos e encaminhados a hospitais da região, onde estão recebendo atendimento médico. Uma das vítimas mais graves é uma menina de 9 anos, que sofreu um traumatismo cranioencefálico e precisou ser entubada. Ela permanece internada no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.
A operação de resgate mobilizou equipes do SAMU, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. Aeronaves do Departamento Estadual de Aviação (DEA) também foram acionadas para ajudar no transporte das vítimas. Além disso, duas equipes do Instituto de Criminalística de Arapiraca foram enviadas para realizar a perícia no local do acidente, enquanto a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as causas do capotamento.
Resposta das autoridades e luto oficial
Em resposta à tragédia, o governador Paulo Dantas (MDB) decretou luto oficial de três dias em todo o estado e afirmou que está acompanhando de perto os trabalhos das equipes de atendimento e investigação. A prefeitura de Coité do Nóia expressou suas condolências e garantiu que está prestando apoio às vítimas e seus familiares durante esse momento difícil.

