Impacto dos Nomes dos Alimentos na Aceitação
O que realmente determina se um alimento é considerado apetitoso? Para muitos, a resposta está nos atributos sensoriais, como sabor e aroma. No entanto, uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) revela que, antes mesmo de experimentar ou sentir o cheiro do alimento, o nome pelo qual ele é apresentado pode ser decisivo para a escolha do consumidor.
O estudo, liderado pela doutora Élida Santos, especialista em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos, explorou a conexão entre os nomes dos produtos da biodiversidade e a disposição dos consumidores em prová-los. O trabalho ganhou destaque na renomada revista internacional Food Quality and Preference e se estabeleceu como um símbolo do potencial científico de Alagoas, utilizando frutos nativos como foco de análise.
O Medo do Desconhecido e a Neofobia Alimentar
Central à pesquisa está o conceito de neofobia alimentar, que significa a resistência natural que temos a experimentar novos alimentos. Os resultados mostraram que produtos associados ao termo “plantas alimentícias silvestres” tendem a gerar expectativas negativas entre os moradores urbanos.
“Enquanto trabalhava na avaliação sensorial de um fruto da Caatinga, percebi que a aceitação vai além das características do alimento. As expectativas que cercam o produto têm um papel crucial. Nossos dados indicam que alimentos vinculados a plantas alimentícias silvestres são frequentemente vistos como menos saborosos do que aqueles que têm nomes mais familiares”, enfatizou Élida Santos.
Conforme a pesquisa, nomes que remetem a plantas conhecidas ou ambientes agrícolas criam uma sensação de familiaridade nos consumidores, resultando em maior aceitação dos alimentos.
Transformando Ciência em Educação Alimentar
Os resultados da pesquisa não se limitaram ao meio acadêmico. Eles impulsionaram a criação do projeto de extensão intitulado ‘Explorando o mundo das PANC: descubra, experimente e divirta-se!’. Essa iniciativa tem a missão de transformar a ciência em educação alimentar, incentivando crianças e adultos em Alagoas a experimentarem os alimentos da flora local, que, apesar de serem altamente nutritivos, são frequentemente negligenciados.
Durante eventos como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no Museu de História Natural da Ufal, o projeto demonstrou a eficácia da teoria em prática: ao apresentar as plantas da biodiversidade local de maneira lúdica e informativa, houve uma grande aceitação por parte dos visitantes.
Reconhecimento e Próximos Passos
O trabalho foi reconhecido por sua relevância e rigor científico, recebendo o Prêmio de Excelência Acadêmica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), que faz parte do programa “Mais Ciência Mais Futuro”.
Para Élida Santos, a premiação é uma validação do investimento público na pesquisa. “Esse reconhecimento destaca a importância da ciência desenvolvida localmente e fortalece os programas de pós-graduação em Alagoas”, declarou.
Os planos futuros da pesquisadora envolvem uma imersão nas cadeias produtivas da sociobiodiversidade na região da foz do Rio São Francisco. O objetivo é claro: usar a ciência da comunicação e a etnobiologia para transformar plantas nativas em fontes de renda e nutrição sustentável para a população local.
Os co-autores do trabalho incluem Déborah Barbosa, Danúbia Gomes, Gabriela dos Santos, Roberta Caetano, Fabiane Queiroz, Nicholas Lima, Rafael Ricardo Vasconcelos e Patrícia Muniz.

