O Mercado Imobiliário de Maceió em Números
O cenário do mercado imobiliário em Maceió apresentou um crescimento considerável de 21% nas vendas de imóveis verticais ao longo de 2025, totalizando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 3,7 bilhões. Esse desempenho coloca a capital alagoana entre os principais centros do país em termos de vendas imobiliárias. Um estudo elaborado pela Brain Consultoria, que foi revelado em evento realizado na última segunda-feira (9), indica que a tendência de alta deve continuar em 2026, com a previsão de um mercado aquecido, muito impulsionado pela demanda proveniente do Nordeste. O relatório também destaca projeções econômicas que apontam para uma estabilidade na taxa de desemprego, trazendo confiança aos compradores.
Os dados foram apresentados durante o evento Panorama de Mercado, que trouxe empresários, investidores e profissionais da construção civil de Alagoas para discutir as tendências e os desafios do setor. O crescimento expressivo das vendas é ainda mais impressionante em um ano que foi marcado por juros elevados e uma queda no lançamento de novos empreendimentos em diversas regiões do Brasil.
Desempenho do Quarto Trimestre e Dinâmica do Mercado
O estudo da Brain Consultoria revela que, apenas no quarto trimestre de 2025, o mercado imobiliário de Maceió movimentou mais de R$ 1 bilhão em vendas, sendo essa a segunda ocasião no ano em que o VGV trimestral ultrapassou esse valor. Para Lucas Finotti, head de Inteligência de Mercado da Brain, esse resultado mostra a robustez da demanda local.
“A performance de Maceió se destaca em comparação a outros mercados do Brasil, incluindo o próprio Nordeste. A cidade conseguiu manter um ritmo de vendas que supera a média nacional”, ressaltou Finotti. No total, foram vendidas 6.106 unidades verticais, enquanto os lançamentos totalizaram 4.952 unidades no mesmo período, o que gerou uma diminuição significativa no estoque, que ficou em 3.745 unidades, uma redução de quase 24% em relação ao ano anterior.
Finotti acrescenta que, quando a demanda cresce mais rapidamente que a oferta, o mercado responde com uma diminuição do estoque e uma pressão positiva sobre os preços.
Programa Minha Casa, Minha Vida como Motor do Setor
Um dos principais fatores que impulsionaram o setor foi o programa Minha Casa, Minha Vida, que teve um papel central no desempenho do mercado. Em 2025, 46% das unidades vendidas em Maceió foram enquadradas no programa, um aumento em relação aos 41% registrados no ano anterior. As vendas se concentraram principalmente em imóveis com dois dormitórios, que representaram mais de 60% das transações. Finotti explica que o segmento econômico foi o principal propulsor do mercado no último ano. “As alterações no programa e o aumento do teto de financiamento impactaram diretamente os volumes de vendas e lançamentos, sustentando o mercado, mesmo em um cenário de crédito mais restritivo”.
A aceleração nas vendas também se refletiu na velocidade de comercialização, que atingiu um índice médio mensal de 10,6% em 2025, considerado elevado para o setor imobiliário. No total, a velocidade de vendas ao longo de 12 meses alcançou 62%, com destaque para os imóveis entre 36 e 40 metros quadrados, que tiveram uma velocidade de vendas superior a 75%. “Os produtos bem ajustados à capacidade financeira dos compradores continuam com vendas rápidas. Por outro lado, o padrão médio foi o segmento que mais sentiu os efeitos dos juros altos”, avaliou Finotti.
Expectativas para 2026
Para 2026, a expectativa é de que o mercado imobiliário continue aquecido, apoiado por fundamentos econômicos mais favoráveis. A pesquisa de intenção de compra realizada pela Brain Consultoria revela que 54% dos nordestinos pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses, superando a média nacional de 50%. “O Nordeste é líder em intenção de compra no Brasil. Apesar dos desafios no acesso ao crédito, existe uma demanda latente muito forte, especialmente em mercados que demonstraram consistência, como Maceió”, afirmou Finotti.
Com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e a expectativa de uma redução gradual dos juros, as condições se tornam mais favoráveis, especialmente para a classe média, que enfrentou dificuldades no último ano. “O mercado de 2026 será mais seletivo, mas com fundamentos sólidos. A tendência é de manutenção da atividade, com oportunidades para aqueles que souberem ajustar produtos e preços à nova realidade”, concluiu Finotti.
Para Alfredo Breda, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Alagoas (Sinduscon/AL), a previsão é de uma recuperação mais robusta do crédito via SBPE. “Esperamos um crescimento acima de 15%, especialmente porque as taxas de financiamento convencional estão altas, mas o mercado começa a reagir com a gradual queda dos juros”, afirmou.

