Queda na Cobertura Vacinal Levanta Alerta sobre a Doença Meningocócica em Alagoas
Alagoas se destaca como o estado com a maior taxa de incidência de meningite do Nordeste e ocupa a segunda posição no Brasil, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde. Esse cenário, que gera preocupação entre especialistas, está atrelado à queda gradual na cobertura vacinal, comprometendo assim a proteção coletiva da população.
Um alerta epidemiológico foi emitido recentemente devido à confirmação de casos da meningite C em vários bairros de Maceió, como Benedito Bentes, Jacarecica e Serraria. Essa situação reacende a atenção para uma enfermidade grave, que pode evoluir rapidamente e ser fatal em poucas horas.
A meningite é caracterizada pela inflamação das meninges — as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal — e pode ser provocada por agentes como vírus, bactérias, fungos ou pelo bacilo da tuberculose. Atualmente, as meningites bacterianas são as mais preocupantes para as autoridades de saúde, pois são transmissíveis e podem ser prevenidas por meio da vacinação.
Para a médica infectologista Mardjane Lemos, crianças e adolescentes apresentam maior vulnerabilidade devido à permeabilidade do sistema nervoso central. A especialista ressalta que, em casos mais graves, a doença pode levar ao óbito entre 24 e 48 horas após o início dos sintomas, tornando o diagnóstico precoce fundamental para salvar vidas.
Em resposta ao aumento de casos, Maceió implementou uma estratégia de bloqueio vacinal em áreas onde foram registrados casos confirmados. Essa ação envolve um microplanejamento para vacinar pessoas que residem em um raio de até 1 km das ocorrências identificadas, visando interromper a cadeia de transmissão da doença.
Infelizmente, dados mostraram que a cobertura vacinal da primeira dose da vacina meningocócica C tem ficado aquém do ideal nos últimos anos, com índices de 84,85% em 2025 e 85,82% em 2024. Para garantir uma proteção coletiva efetiva, a cobertura recomendada deve ser superior a 95%.
Além disso, indicadores revelam que Alagoas apresenta o maior coeficiente de casos da doença meningocócica no Nordeste e a segunda maior taxa do país. No ranking nacional, o estado do Pará aparece em primeiro lugar, embora especialistas enfatizem que este enfrenta desafios logísticos e territoriais que dificultam a vacinação, algo que não é tão acentuado em Alagoas.
A letalidade da meningite também é uma preocupação crescente. Enquanto o Brasil registrou um pico recente de 25,6% de casos fatais em 2023, Alagoas apresentou um alarmante índice de 60% no mesmo período, mostrando uma gravidade maior dos casos no estado.

