O Mel do Sertão e suas Inovações
PIRANHAS (AL) — A apicultura no Sertão de Alagoas está passando por uma metamorfose significativa, alinhando-se a práticas modernas e adequadas às exigências de qualidade do mercado. Sob a liderança da COOPEAPIS (Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar e Apicultura), localizada no Distrito de Piau, em Piranhas, os produtores estão investindo em metodologias que visam não apenas a sustentabilidade, mas também a qualidade do mel, conhecido como ‘ouro líquido’.
A estratégia para promover o mel da caatinga como um produto de alto valor agregado envolve a profissionalização do manejo das plantas nativas do semiárido. Com o apoio de instituições como o Sebrae Alagoas, a cooperativa tem se esforçado para que a produção e a rastreabilidade dos lotes atendam aos rigorosos padrões sanitários exigidos por um mercado cada vez mais competitivo.
Oportunidades no Mercado Gourmet
O objetivo das cooperativas é posicionar o mel alagoano como um item gourmet tanto em nível nacional quanto internacional. Para alcançar essa meta, os apicultores estão se concentrando em técnicas de extração que preservam as características aromáticas e nutricionais das flores nativas. O respeito por protocolos que evitam o superaquecimento e a degradação da qualidade do produto final é crucial nesse processo.
A infraestrutura local desempenha um papel fundamental na operação da apicultura no Sertão. Projetos estaduais, como a Casa do Mel do Centro Xingó, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SEAGRI), oferecem apoio através de capacitações e fomento tecnológico, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Implementação de Boas Práticas e Sustentabilidade
A COOPEAPIS tem implementado práticas rigorosas, destacando-se a rastreabilidade de lotes, que permite identificar a origem exata do mel produzido. Além disso, as Boas Práticas de Fabricação (BPF) são adotadas para garantir a segurança alimentar e a higiene no processamento do mel. Outro aspecto importante é o manejo sustentável da caatinga, que visa conservar a vegetação nativa e garantir a viabilidade a longo prazo da produção.
Desafios Logísticos e Oportunidades Fiscais
O sucesso da apicultura no Sertão não depende apenas da qualidade do produto, mas também de uma gestão eficiente dos custos logísticos e de incentivos fiscais disponíveis. Recentemente, o cenário estadual trouxe novas diretrizes de isenção do IPVA, que podem impactar significativamente os custos operacionais, dependendo do tipo de veículo utilizado pelos produtores rurais.
Atualmente, a COOPEAPIS está focada na consolidação de contratos com empórios especializados no mercado interno, enquanto também prepara a documentação necessária para futuros projetos de exportação. Com essa dedicação, a cooperativa busca elevar o reconhecimento do mel do Sertão de Alagoas como um símbolo de qualidade e sustentabilidade, reafirmando seu valor no competitivo mercado europeu.

