Marina Silva Reforça Seu Compromisso com a Rede
A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, decidiu continuar na Rede Sustentabilidade com o objetivo de “restaurar os princípios e valores” que fundamentam a sigla. Essa escolha ocorre após a recusa de convites de siglas como PT e PSB, em meio a tensões internas que provocaram a saída de diversos aliados. Em nota, Marina declarou: “Minha permanência na Rede é uma decisão política que reitera meu comprometimento com a reeleição do presidente Lula e a vitória significativa de Fernando Haddad em São Paulo, ao mesmo tempo em que fortalece o indispensável bioma democrático do Brasil”.
Segundo a ex-ministra, essa decisão está alinhada à sua visão de que o “bioma da democracia brasileira” precisa ser fortalecido por meio de um ecossistema partidário plural. Ela ressaltou que, em um ambiente de constantes ameaças autoritárias, é fundamental promover a união e a diversidade dentro da política. “A Rede foi constituída sobre princípios democráticos, com o intuito de ser um espaço de pluralidade, inovação e participação cidadã. É com esse espírito que continuarei a atuar, empenhando-me para resgatar os valores fundamentais que sustentam nossa fundação, que têm sido ameaçados de forma antidemocrática”, afirmou.
Desafios e Candidatura ao Senado
Nos últimos meses, Marina vinha comentando em conversas informais que lutaria para permanecer na Rede até o fim, embora reconhecesse que o calendário eleitoral poderia representar um desafio. A ex-ministra tem a intenção de concorrer ao Senado por São Paulo, e lideranças do PSOL, em colaboração com a Rede, trabalham para que ela integre a chapa de Fernando Haddad, que já conta com o nome de Simone Tebet (PSB) como candidata ao Senado. “Vou intensificar minha atuação no debate público, contribuindo para a construção de alternativas que assegurem o avanço civilizatório do país. O estado de São Paulo desempenha um papel crucial nesse contexto”, disse Marina.
Marina definiu que qualquer candidatura neste ano deve respeitar três requisitos: o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o fortalecimento de uma Frente Ampla, especialmente em São Paulo, e o incentivo à agenda ambiental. Atualmente, a chapa do PT em São Paulo já tem Haddad como candidato ao governo e Simone Tebet ao Senado.
Tensões Internas na Rede Sustentabilidade
O relacionamento de Marina com a Rede tornou-se tenso desde a eleição para a presidência do diretório nacional em abril do ano passado. O candidato apoiado por ela foi derrotado por Paulo Lamac, que é respaldado por Heloísa Helena, uma das figuras que romperam com a ministra em 2022. Em dezembro, aliados de Marina publicaram um manifesto criticando a direção nacional da sigla, alegando mudanças estatutárias e perseguições internas contra a ex-ministra.
Enquanto Marina se posiciona como “sustentabilista” e atuou como ministra, Heloísa adota uma postura de oposição, defendendo o “ecossocialismo”, que liga a preservação ambiental a mudanças no sistema econômico. Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso nacional da Rede, que havia consagrado o aliado de Heloísa, criando incertezas políticas sobre as decisões da atual direção.
A Rede, por sua vez, expressou surpresa com a decisão judicial e reafirmou seu compromisso com a transparência e a democracia. Recentemente, o grupo de Marina obteve uma vitória jurídica, com a Justiça do Distrito Federal concedendo uma liminar que suspendeu os efeitos de uma resolução partidária que impedia pedidos de desfiliação sem a anuência do diretório nacional. Essa ação foi considerada um “instrumento de coerção política” em um momento crítico para a política eleitoral.

