Encontro nacional celebra os saberes tradicionais em Maceió
Na última quarta-feira (1º), Maceió (AL) tornou-se o palco de um encontro único que reuniu mestras e mestres das culturas tradicionais e populares de todas as regiões do Brasil. Representantes das 27 unidades da Federação marcaram presença na abertura do Encontro de Mestras e Mestres do Notório Saber no Brasil, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC). O evento, que segue até sexta-feira (3), reúne detentores de conhecimentos ancestrais, pesquisadores, docentes, estudantes e gestores públicos, unidos pelo objetivo de fortalecer o reconhecimento dos saberes tradicionais como parte essencial da produção de conhecimento no país.
Compromisso com a valorização cultural e diversidade
A cerimônia de abertura reafirmou o compromisso do MinC, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), em valorizar as culturas tradicionais e populares e reconhecer mestras e mestres como protagonistas da geração de conhecimento no Brasil. O encontro é realizado em parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFCE), por meio do Consórcio do Notório Saber, ampliando o diálogo entre diferentes atores culturais.
Para Márcia Rollemberg, secretária da SCDC, o evento representa um marco para fortalecer políticas públicas que valorizam os saberes construídos nos territórios. “Venho do SUS, da luta pelos direitos fundamentais, e vejo hoje, em Maceió, o embrião do Sistema Nacional de Cultura. A cultura é um direito de todos, está na Constituição, e as fontes desse conhecimento estão exatamente onde vocês estão”, destacou.
Homenagens e manifestações culturais na abertura
A noite de abertura foi marcada por uma homenagem a Mozart Viana da Silva, referência da cultura popular alagoana e integrante da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte), que faleceu recentemente. O grupo Guerreiro Comigo Ninguém Pode trouxe ao palco uma das manifestações mais tradicionais da cultura local, enquanto o hino nacional emocionou o público na interpretação do mestre Lula Sabiá, acompanhado pela sanfona.
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Além de autoridades públicas, mestras e mestres, pesquisadores, docentes, universidades, institutos federais e organizações culturais de todo o país estiveram presentes, evidenciando a diversidade dos saberes que compõem o patrimônio cultural brasileiro.
Mesa de honra e diálogo entre saberes tradicionais e acadêmicos
A mesa de honra contou com a presença de Márcia Rollemberg (SCDC/MinC), Tião Soares (diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares da SCDC), Douglas Apratto Tenório (vice-reitor do Centro Universitário Cesmac), Ana Uchôa (pró-reitora de Extensão do IFCE), João Lemos (presidente da Focuarte), Mestra Cícera Leite Paz de Freitas (Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas), Gil do Jongo de Piquete (mestre do Jongo), Miryel Cavalcante Melo Neto (presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió) e Ivan Barsand (presidente da Asfopal).
Douglas Apratto Tenório destacou a relevância da aproximação entre os saberes tradicionais e o meio acadêmico: “Receber este encontro no Cesmac reafirma o compromisso da instituição com uma educação aberta ao diálogo entre diferentes formas de produção do conhecimento. As mestras e os mestres das culturas tradicionais e populares carregam saberes fundamentais para a formação do país, e é uma honra contribuir para aproximar esses conhecimentos do ambiente acadêmico.”
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Fonte: acreverdade.com.br
Saberes ancestrais fortalecem a educação e políticas culturais
A conferência de abertura ficou a cargo da Mestra Capitã Pedrina, professora do Programa de Notório Saber da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que deu início aos debates previstos para os três dias de encontro. A programação abordará experiências do Notório Saber nas universidades, a relação entre cultura e educação, direitos autorais dos conhecimentos tradicionais e a criação da Rede Nacional de Universidades e Institutos para o Notório Saber.
Segundo Tião Soares, o encontro é um passo importante para ampliar o reconhecimento institucional das mestras e mestres. “Quando falamos em ancestralidade, reconhecemos que muitos vieram antes de nós. Este encontro não pretende reinventar a roda, mas reconstruir caminhos para que esse reconhecimento aconteça de forma efetiva. Mais do que uma certificação, buscamos o reconhecimento do Notório Saber para pessoas que, ao longo da história, foram subalternizadas e que hoje reivindicam o lugar que lhes pertence: o de professoras e professores doutores dos espaços onde a educação acontece.”
Programação segue com debates e apresentações culturais
Na quinta-feira (2), a agenda inclui mesas de diálogo sobre cultura e educação, experiências do Notório Saber nas instituições de ensino superior, desafios relativos aos direitos autorais e salvaguarda dos conhecimentos tradicionais. Também estão previstas apresentações culturais e a solenidade de concessão do Título de Notório Saber promovida pelo Cesmac, ampliando a circulação e o reconhecimento dos saberes populares entre o público e as instituições culturais.

