A Nova Face Turística de Maceió
Em um texto provocativo publicado no portal “082Notícias”, o engenheiro Stanley de Carvalho analisa como Maceió, ao longo do transcurso de 2025 para 2026, consolidou sua imagem como a ‘Capital LEGO’. O cenário atual da orla, com suas luzes coloridas e enfeites flutuantes, contrasta com a serenidade e a beleza que a região sempre inspirou em artistas e poetas ao longo dos anos. O relato destaca que a Pajussara e a Ponta Verde, anteriormente símbolos de tranquilidade e beleza natural, agora parecem mais um desfile de publicidade e consumo, refletindo uma transformação que levanta questões sobre a verdadeira essência do lugar.
De acordo com Carvalho, o que restou do encanto da natureza é ofuscado por barracas, cartazes e publicidade, tornando difícil imaginar os versos que poderiam ser compostos sobre este novo panorama. As memórias de um passado onde a visão dos coqueiros e o som das ondas eram parte da experiência de visitar a praia se perderam em meio à agitação do comércio e ao turismo massivo.
O Impacto do Desenvolvimento Econômico
O autor também remete a um momento crítico da história de Alagoas, quando a Salgema foi implantada no Pontal da Barra. Naquela época, dizia-se que a chegada da indústria traria ‘redenção econômica’ ao estado, prometendo empregos e crescimento. No entanto, o que se viu foram consequências drásticas: a destruição de bairros inteiros e a expulsão de milhares de pessoas de suas casas, reduzindo suas histórias a meras estatísticas.
Agora, Carvalho observa um novo ciclo de promessas com o turismo sendo apresentado como a “nova vocação econômica do Estado”. No entanto, já é possível perceber os efeitos prejudiciais dessa abordagem. A apropriação do espaço público por interesses privados se torna evidente, com um Estado que, ao invés de proteger os cidadãos e o patrimônio natural, parece abraçar os planos de grandes investidores, oferecendo mais um capítulo de exploração.
Desafios Sociais e Ambientais
A transformação de Maceió não é apenas uma questão de estética, mas traz consigo um aumento nos índices de violência em áreas que antes eram consideradas paraísos. Cidades como Japaratinga e Maragogi, que atraíam visitantes em busca de paz e beleza natural, agora enfrentam problemas associados ao crescimento descontrolado do turismo. Além disso, a duplicação da Al-101 Norte provoca danos na fauna e flora remanescente da Mata Atlântica, um patrimônio natural que merece ser protegido.
Na visão do engenheiro, o que se espera de um futuro incerto em Maceió é alarmante. Com a cidade se desenhando sob uma nova realidade, a pergunta que se impõe é: o que mais pode ocorrer para agravar a situação? O temor por um possível afundamento da cidade ou catástrofes naturais parece quase trivial diante da inércia dos governantes e a aliança com empreendedores que promovem a devastação dos recursos locais.
Assim, a narrativa de Maceió, que deveria ser uma história de beleza, cultura e tranquilidade, transforma-se em uma análise crítica sobre os impactos sociais e ambientais de um desenvolvimento que prioriza o lucro em detrimento do bem-estar da população e do meio ambiente. O que resta, segundo Carvalho, são apenas páginas que um dia poderão ser lidas na história da cidade, caso as atuais tendências não sejam revistas.

