Desafios Enfrentados pelo Magistério
No dia 24 de janeiro, o Conselho de Representantes do SISMMAC se reuniu com um objetivo claro: articular a luta do magistério neste início de ano letivo. A gestão de Rafael Pimentel tem se caracterizado por uma política de desvalorização da carreira docente e desorganização da rede municipal de ensino, o que evidencia a necessidade urgente de mobilização entre os educadores.
Ao longo da gestão, a carreira dos professores foi congelada por mais de uma década, e o Crescimento Vertical, uma oportunidade de avanço profissional, foi tratado como um assunto secundário pela Prefeitura. Apesar da expectativa de que esse procedimento ocorresse em 2025, os critérios restritivos impostos dificultam o progresso da maioria dos educadores.
Embora um edital tenha sido publicado, a gestão não apresentou um cronograma efetivo para a implementação das mudanças e sequer definiu datas para os pagamentos. Essa falta de previsibilidade prejudica os docentes que investiram em sua formação. Além disso, o procedimento de crescimento horizontal também está previsto para este ano, mas a Prefeitura pode repetir a lógica de atrasos e indefinições, gerando incertezas para os profissionais da educação.
Descongela: Novas Oportunidades para os Educadores
Uma das questões debatidas foi o programa Descongela, que foi aprovado pelo governo Lula e permite que o período de perdas de direitos entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021 seja considerado na contagem de anuênios, quinquênios e licenças-prêmio. No entanto, em Curitiba, a gestão Pimentel ainda não apresentou um plano concreto para implementar essa medida, o que mantém os professores em situação de desvantagem, especialmente em relação às aposentadorias.
A gestão municipal, em seu primeiro ano na Secretaria Municipal de Educação, foi marcada pela instabilidade e pela falta de diálogo com os educadores. Medidas como a retirada da coordenação administrativa e mudanças curriculares sem respaldo normativo têm gerado desgaste nas unidades escolares, complicando ainda mais a organização do tempo letivo.
A recente troca no comando da Secretaria, com a nomeação de Paulo Schmidt, parece não indicar uma mudança de direção. Essa escolha reacende preocupações com modelos anteriores que priorizaram a redução de profissionais nas escolas e ampliaram as sobrecargas dos já existentes.
Militarização das Escolas: Uma Ameaça ao Ensino
Durante a reunião do CR, também foi discutido o polêmico projeto de militarização das escolas municipais, uma iniciativa que pode comprometer a gestão democrática e a organização das instituições de ensino. Essa proposta desvia recursos que deveriam ser utilizados para a valorização salarial dos professores, destinando-os para financiar cargos de militares, enquanto a quantidade de profissionais da educação e o investimento em infraestrutura permanecem insuficientes.
Além disso, a militarização pode instaurar um ambiente de intimidação, enfraquecendo a organização coletiva da categoria e desviando a atenção dos problemas reais enfrentados pelas escolas.
CredCesta e Articulação Nacional em Defesa da Educação
Outro tema abordado foi a situação do CredCesta/Banco Master. A pressão exercida pelo SISMMAC foi crucial para a suspensão dos descontos em folha, garantindo melhor condições para os educadores. Também foram discutidas mudanças no auxílio-transporte e a tentativa da gestão municipal de atropelar a Conferência Municipal de Educação. A participação do SISMMAC no Congresso da CNTE foi destacada como uma forma de fortalecer a articulação nacional em favor das lutas da educação.
O Que Está em Jogo para o Futuro da Educação em Curitiba
O que se vislumbra para 2026 é uma disputa acirrada por um projeto de educação municipal. De um lado, uma gestão que desvaloriza a carreira docente e improvisa na organização pedagógica; do outro, um magistério empenhado na luta por direitos, valorização e melhores condições de trabalho. A direção do SISMMAC intensificará as visitas e panfletagens nas escolas para dialogar com professores e famílias, promovendo uma Assembleia em março para traçar os próximos passos na luta contra a indiferença da gestão Pimentel.
Fica claro que a mobilização e a pressão organizada serão fundamentais para conquistar avanços. Não haverá progresso sem luta, e o futuro da educação pública em Curitiba depende da união e da organização do magistério. Juntos, é possível enfrentar os desafios e garantir um ensino de qualidade para todos.

