Mestre das alianças, Lula traz Renan Calheiros e Arthur Lira ao mesmo palco na disputa pelo Senado
O recente evento do programa habitacional em Alagoas promete ser um divisor de águas na política local, reunindo figuras históricas que sempre foram adversárias. Entre os presentes estarão o senador Renan Calheiros (MDB) e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ambos com planos de concorrer ao Senado com o apoio do presidente Lula, embora sem compartilhar palanque na esfera local. Essa aparente união, na verdade, esconde fraquezas e tensões que podem se intensificar conforme a disputa eleitoral se aproxima.
Além de Renan e Lira, outros nomes importantes integrarão a agenda, como Renan Filho, atual ministro dos Transportes. Ele está em vias de deixar o cargo para tentar uma nova candidatura ao governo do estado. Por sua vez, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, também é cogitado para a corrida pelo Palácio República dos Palmares.
A situação de JHC é particularmente intrigante, uma vez que sua eventual candidatura poderia representar o rompimento de um acordo político estabelecido no ano passado. Durante as negociações para a nomeação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), JHC teria se aproximado de Lula. Apesar das declarações públicas negando a existência de qualquer pacto, aliados de Lula e dos Calheiros afirmam que havia um compromisso do prefeito de não lançar sua candidatura ao governo estadual, o que fortaleceria a posição de Renan Filho.
As especulações nos bastidores indicam que Renan Filho, que já governou Alagoas por dois mandatos, e JHC estão em um empate técnico nas pesquisas recentes. Mesmo ainda filiado ao PL, partido de Jair Bolsonaro, JHC mantém uma parceria com Lira em nível local, mas essa aliança é permeada por incertezas, principalmente à medida que surgem rumores da possibilidade de JHC tentar uma vaga no Senado. Esse movimento poderia desfavorecer Lira, que atualmente está em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, atrás de Renan Calheiros.
Outra possibilidade que circula entre os aliados é a candidatura da esposa de JHC, Marina Candia. Em uma pesquisa divulgada pelo Paraná Pesquisas, Marina aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Renan Calheiros lidera com 49% e Arthur Lira segue com 45%. Cada eleitor poderá votar em até dois candidatos ao Senado, o que torna o cenário ainda mais competitivo.
Nos corredores da política alagoana, há relatos de que JHC enfrenta pressão para honrar o suposto acordo. Em dezembro, sua mãe, a senadora Doutora Eudócia (PL-AL), votou a favor do polêmico projeto de lei da dosimetria, que reduz penas para condenados pela trama golpista, incluindo Jair Bolsonaro. Essa decisão adiciona mais camadas de complexidade ao já intricado jogo político local.
Para os aliados de Renan Calheiros, um cenário ideal seria a candidatura de JHC ao Senado, o que ajudaria a enfraquecer Lira nas eleições estaduais. Recentemente, o prefeito e o senador se encontraram em uma reunião reservada em Barra de São Miguel, um famoso balneário alagoano. Durante esse encontro, Renan reiterou as cobranças feitas anteriormente pelo ex-ministro José Dirceu, que também esteve em Alagoas na semana passada, para que JHC mantenha seu compromisso e evite se lançar à disputa pelo governo.
Embora ainda indefinido, o futuro político de JHC promete ser um capítulo interessante nessa eleição. À medida que os dias se aproximam da votação, a tensão entre as figuras históricas da política alagoana só tende a aumentar, refletindo a complexidade e as nuances de um cenário eleitoral que continua a evoluir.

