Análise Profunda da Laguna Mundaú
O Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM) destaca-se como um ponto central de pesquisa pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), contribuindo significativamente para o conhecimento científico. Um dos projetos mais recentes, o livro “Laguna de Encantos e Desencantos”, do arquiteto e urbanista Rubens de Oliveira Duarte, reflete essa dedicação acadêmica. Duarte, que é um docente do Centro de Tecnologia (Ctec) da Ufal, traz uma rica análise sobre a laguna e sua importância na formação e desenvolvimento da cidade de Maceió.
A obra revisita a trajetória da laguna ao longo dos séculos, destacando sua relevância no século XIX como um dos principais portos de entrada para a cidade. Além disso, menciona seu papel no século XX, como local de pouso para hidroaviões e cenário de produções cinematográficas alagoanas.
Fruto de sua pesquisa durante o mestrado e o doutorado na Ufal, o livro foi lançado pela Editora Universitária (Edufal) em março de 2023. A segunda edição, que já está disponível, foi revisada e ampliada, incorporando estudos atualizados até 2024, e foi apresentada durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em novembro de 2025.
Reflexões sobre a Relação entre Natureza e Urbanização
“Este trabalho vai além de um simples registro acadêmico; é uma reflexão crítica sobre a complexa relação entre natureza e urbanização, entre encantos e desencantos, entre preservação e degradação”, afirma Rubens Duarte. Apesar de a laguna ter sido um símbolo de beleza e vitalidade, sua história também revela desafios significativos. O autor menciona que a condição da laguna foi profundamente afetada pela antropização, especialmente após a construção do Dique-Estrada, que em 1982 incorporou ilhas da laguna ao território urbano de Maceió, resultando em 202 hectares adicionais para a cidade.
“Esse processo trouxe consequências drásticas para a laguna e seu entorno. Em 2018, a região foi marcada por problemas geológicos que exigiram reflexões e ações da administração municipal. A nova edição do livro aborda também um subcapítulo dedicado ao desastre ambiental causado pela exploração de sal-gema pela Indústria Química Braskem, que afetou cinco bairros da capital”, explica Duarte.
Conteúdo Amplo e Envolvente
A primeira edição da obra era composta por quatro capítulos, que discutiam a formação da laguna e sua representatividade ao longo do tempo. A nova edição, por sua vez, apresenta um texto revisado e novas imagens, além de um capítulo adicional que expande as reflexões sobre enchentes, alagamentos e as consequências do desastre ecológico mencionado.
“A laguna Mundaú e o mar são fundamentais para nossa história. Maceió surgiu entre essas duas realidades aquáticas. A ocupação inicial se deu por indígenas e, a partir de 1609, com a construção da primeira casa nas proximidades da atual praia da Pajuçara, a relação entre a cidade e suas águas se intensificou”, conta o professor.
Importância Histórica e Cultural da Laguna
O professor destaca que a laguna, alimentada pela bacia do rio Mundaú, passou a ser um patrimônio vital para Maceió, significando não apenas um espaço de beleza natural, mas também de subsistência para milhares de famílias. “A Mundaú é parte de um complexo estuarino e deve ser reconhecida por sua vastidão histórica e cultural. Não é apenas um cenário; é um patrimônio que precisa ser protegido”, ressalta.
Além de ser uma referência acadêmica, o livro de Rubens Duarte também foi patrocinado por instituições como o Instituto do Meio Ambiente (IMA/AL) e o Centro de Tecnologia da Ufal. Desde o seu lançamento, a obra tem sido divulgada em escolas e instituições de ensino na capital e no interior de Alagoas, enquanto também está disponível na Biblioteca Latino-Americana, em São Paulo. Essa biblioteca, que abriga uma coleção significativa de publicações sobre Alagoas, destaca ainda mais a relevância do trabalho de Duarte no contexto cultural e ambiental do estado.

