Conflito de Interesses na Politização do Carnaval
O ex-deputado federal João Caldas, pai do atual prefeito de Maceió, JHC, usou suas redes sociais nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) para criticar o que considera um “uso indevido da política” durante os desfiles do Sambódromo do Rio de Janeiro. Em um vídeo, ele se referiu à apresentação da Acadêmicos de Niterói, que prestou homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abordando sua trajetória política e a vida no estado de Pernambuco.
“Quando Brizola idealizou o Sambódromo, a intenção era promover a cultura. Não era para fazer política. Ganhou o samba, mas perdeu a política”, declarou Caldas. Ele defendeu que o espaço de celebração carnavalesca deve valorizar a cultura e a liberdade que a festa representa.
A Homenagem a Lula e o Debate Sobre o Carnaval
O desfile que gerou descontentamento e críticas foi realizado pela Acadêmicos de Niterói, que recebeu uma homenagem ao presidente Lula. Isso desencadeou um intenso debate sobre a linha tênue entre uma manifestação cultural e uma propaganda política, provocando reações adversas e até judicializações, conforme reportado pela imprensa internacional.
Na classificação final do desfile, a escola de samba terminou em 12º lugar, com 264,6 pontos, o que resultou em seu rebaixamento para a Série Ouro, encerrando assim sua participação na elite do carnaval carioca.
Contradições na Política Alagoana
Entretanto, as falas de João Caldas levantaram novamente um questionamento que a política em Alagoas já havia enfrentado: o uso do Sambódromo como uma vitrine institucional. Em 2024, a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió estabeleceu um patrocínio de R$ 8 milhões com a escola Beija-Flor de Nilópolis. O objetivo era levar um enredo que promovia a capital alagoana, visando a divulgação turística e a projeção nacional e internacional de Maceió.
Esse patrocínio gerou um intenso debate político em Alagoas, com questionamentos e a exigência de documentos sobre a operação. Naquele ano, a Beija-Flor terminou em 8º lugar e ficou fora do Desfile das Campeãs. Esse resultado voltou à tona agora, especialmente após o discurso de Caldas contrabalançando o uso político do carnaval.
Reflexões Sobre Narrativas e a Politização do Carnaval
Com a afirmação de que “a política deve ser discutida em outros palcos”, João Caldas busca preservar o carnaval como um espaço cultural livre de manipulações políticas. Contudo, críticos notam que o mesmo Sambódromo que ele atualmente condena por estar “ocupado” pela política já foi utilizado — com recursos públicos — como uma estratégia de promoção institucional pela gestão do seu próprio grupo político em Maceió.
O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói e a repercussão do tema nas redes sociais ampliam o debate sobre os limites e critérios da politização do carnaval. Ela ressalta a incoerência quando autoridades e grupos políticos, ao mesmo tempo, criticam essa politicagem e, em contrapartida, se beneficiam do alcance e da visibilidade que o espetáculo proporciona.

