Ampliação dos Incentivos para Formação na Saúde
O Ministério da Saúde anunciou um expressivo investimento de aproximadamente R$ 172 milhões até 2026, com a finalidade de aprimorar a formação profissional na área da saúde. Essa atualização nos incentivos financeiros mensais aos municípios e ao Distrito Federal visa reforçar os programas de residência na Atenção Primária à Saúde (APS), permitindo a inclusão de mais 2.000 residentes. Atualmente, 162 municípios se beneficiam desse programa, totalizando 2.150 vagas disponibilizadas para profissionais residentes na APS. De acordo com Dirceu Klitzke, coordenador-geral de Financiamento da APS, a proposta busca não apenas fomentar a criação de novas vagas, mas também fortalecer as iniciativas já existentes. O reajuste dos valores por categoria de residência e a inclusão de novas categorias profissionais elegíveis ao incentivo são parte das melhorias implementadas.
Os novos valores do incentivo mensal são significativos: a residência em medicina teve um aumento de R$ 4,5 mil para R$ 8 mil; nas áreas de enfermagem e odontologia, o montante passou de R$ 1,5 mil para R$ 4 mil. Além disso, foi instituído um incentivo para outras categorias profissionais no valor de R$ 3 mil, alcançando áreas como educação física, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, entre outras. O objetivo é fortalecer a constituição de equipes Multiprofissionais (eMulti), ampliando o suporte à saúde pública.
Fortalecimento da Atenção Primária nas Regiões Carentes
Essa iniciativa do governo federal visa ampliar a força de trabalho na atenção primária, especialmente nas regiões onde há escassez de profissionais. De acordo com Klitzke, o projeto também busca alinhar a formação prática e teórica dos residentes às necessidades de saúde locais, promovendo a adoção de boas práticas no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a normativa recente inclui cinco novas equipes da APS para o cadastro de residentes. Agora, além das tradicionais equipes de Saúde da Família (eSF) e Saúde Bucal (eSB), as equipes eMulti, eSF Ribeirinha (eSFR), Atenção Primária Prisional (eAPP), Consultório na Rua (eCR) e Saúde da Família Fluvial (eSFF) também receberão apoio financeiro adicional mensal.
Novos Programas de Residência e Carga Horária
Outra importante novidade é a ampliação dos tipos de programas de residência, que agora exigem uma carga horária mínima de 40 horas semanais para a inserção de residentes. Os programas de residência médica englobam especialidades como medicina de família e comunidade, medicina preventiva social, urgência e emergência, além de cuidados para a população de rua e gestão de saúde. Nos programas de residência nas áreas profissionais da saúde, tanto na modalidade uniprofissional quanto multiprofissional, as especializações abrangem saúde da família, saúde coletiva, saúde pública e saúde mental, desde que contemplem prática na APS.
O novo regulamento também estabelece um número máximo de profissionais residentes por equipe da APS para o recebimento do incentivo adicional mensal. As regras definidas são as seguintes: nas equipes de Saúde da Família (eSF), Saúde da Família Ribeirinha (eSFR) e Unidades Básicas de Saúde Fluvial (UBSF), o limite é de dois médicos e dois enfermeiros, enquanto nas equipes eMulti, o número de residentes pode variar de acordo com a categoria profissional. A normativa busca proporcionar uma alocação mais eficiente de recursos e profissionais em áreas que realmente necessitam de atenção.
Credenciamento e Monitoramento
Para que os gestores municipais e distritais possam acessar o incentivo, é necessário solicitar o credenciamento no sistema Gerencia APS. Também é essencial que o preceptor da residência esteja devidamente registrado na equipe ou unidade de saúde correspondente no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), com carga horária não superior a 60 horas semanais na APS. O monitoramento do programa de incentivo à residência será baseado na qualidade, considerando os resultados obtidos pelas Unidades Básicas de Saúde. Com essa iniciativa, espera-se não apenas fortalecer a formação de novos profissionais, mas também garantir uma saúde pública mais eficiente e adaptada às realidades locais.

