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    Saúde

    40% dos Infartos Ocorrem em Pessoas com Baixo Risco Cardiovascular: Entenda o Fenômeno

    18 de janeiro de 2026
    40% dos Infartos Ocorrem em Pessoas com Baixo Risco Cardiovascular: Entenda o Fenômeno
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    O Impacto da Prevenção Cardiovascular

    Um estudo recente trouxe à luz um dado alarmante: cerca de 40% dos infartos acontecem em indivíduos considerados de baixo risco para problemas cardiovasculares. Isso significa que esses pacientes raramente são o foco das estratégias preventivas, não recebem o acompanhamento adequado e, muitas vezes, não são priorizados nas políticas de saúde. Essa realidade revela uma lacuna crucial no entendimento e na avaliação do risco cardiovascular, enfatizando a necessidade de reavaliar como identificamos e monitoramos os pacientes em potencial risco.

    O Estudo PURE, uma coorte prospectiva internacional que abrange aproximadamente 200 mil participantes em 21 países, entre eles o Brasil, analisa a relação entre diversos fatores de risco e a mortalidade. O objetivo principal desse estudo é investigar os determinantes relacionados ao adoecimento e à morte, com ênfase nas doenças cardiovasculares, e comparar diferentes contextos econômicos e sociais em أنحاء do mundo.

    Compartilhando Conhecimento para Prevenção Eficaz

    Para tornar as informações reveladas pelo estudo mais acessíveis à população, pesquisadores optaram por apresentá-las em forma de “lições”. Essas lições, que também incorporam estudos complementares como o InterHeart e o InterStroke, visam transmitir evidências sobre os fatores que contribuem para infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC) ao redor do mundo. Com um enfoque claro em viver de forma saudável e prolongada — a LongeVitalidade —, essas lições ajudam a entender as razões por trás do adoecimento e as medidas que podem ser tomadas.

    Um dos conceitos centrais é que o adoecimento cardiovascular reflete a organização da vida em sociedade. O modelo de transição epidemiológica mostra que, à medida que as condições de saneamento e vacinações melhoram, surgem novos desafios relacionados ao estilo de vida urbano. O aumento do sedentarismo, a alimentação inadequada e o estresse emocional são alguns dos fatores que contribuem para problemas como obesidade, hipertensão e diabetes, culminando em infartos e AVCs.

    Estatísticas e Fatores de Risco no Brasil

    No Brasil, destacam-se condições como dislipidemia, obesidade abdominal, hipertensão e estresse emocional como principais fatores de risco. Esses dados explicam por que os infartos muitas vezes não são surpresas e por que as avaliações de risco baseadas apenas na soma desses fatores podem deixar escapar indivíduos que, apesar de parecerem saudáveis, podem sofrer eventos cardiovasculares graves.

    O estudo InterStroke também revela padrões preocupantes relacionados ao AVC, identificando dez fatores que explicam a maioria dos casos, como comportamentos de risco e condições cardíacas, como a fibrilação atrial. Ambos os estudos enfatizam a importância da prevenção em larga escala para reduzir a incidência destes eventos.

    A Relação entre Renda e Risco Cardiovascular

    Além disso, o estudo PURE introduz o chamado paradoxo do risco cardiovascular, que demonstra que países com maior renda enfrentam maior risco cardiovascular, mas registram menos eventos graves. Por outro lado, em regiões de menor renda, a incidência de infartos e AVCs é mais alta. O acesso a diagnósticos, tratamentos adequados e serviços de saúde parece ser a chave para essa disparidade.

    A Alimentação como Fator Decisivo

    A alimentação é outro aspecto que merece atenção. As evidências indicam que dietas ricas em carboidratos estão associadas a uma maior taxa de mortalidade, enquanto o consumo de frutas, legumes e verduras está relacionado à redução desse risco. O equilíbrio no consumo de sal e potássio também é essencial para a saúde cardiovascular.

    A atividade física, por sua vez, se destaca como um dos pilares fundamentais de proteção à saúde. A prática de exercícios aeróbicos está ligada à diminuição de infartos e AVCs, além de contribuir para uma redução na mortalidade geral e cardiovascular. A preservação da força muscular é igualmente importante: quanto mais forte a pessoa, menores as chances de morte, inclusive por causas relacionadas ao coração.

    A Hipertensão e a Necessidade de Prevenção

    A hipertensão arterial continua a ser o principal fator de risco no Brasil, afetando cerca de 45% da população adulta. Embora existam tratamentos eficazes, apenas uma fração da população mundial e brasileira consegue manter a pressão arterial sob controle. Um fator que agrava essa situação é que muitos hipertensos não têm conhecimento sobre sua condição.

    Transformando Conhecimento em Prática

    O estudo PURE revela que 12 fatores correspondem a cerca de 70% dos eventos cardiovasculares globalmente. Na América do Sul, essa proporção é semelhante. Notavelmente, cerca de 70% das mortes precoces estão associadas a fatores modificáveis, como tabagismo, hipertensão e alimentação inadequada.

    A mensagem final é clara: adotar um estilo de vida saudável é fundamental e pequenas mudanças sustentadas podem aumentar a expectativa de vida e a qualidade de vida. A prevenção deve ser uma constante, desde a gestação até a vida adulta, e o verdadeiro desafio da saúde cardiovascular é implementar o que já se sabe sobre saúde e prevenção em políticas públicas e práticas clínicas efetivas.

    A LongeVitalidade não é apenas um conceito, mas um objetivo concreto que envolve aumentar a expectativa de vida sem eventos cardiovasculares e câncer, mantendo a autonomia e beneficiando-se de práticas que promovem a espiritualidade e a satisfação com a vida. Integrar prevenção, acesso ao cuidado e adesão ao tratamento é essencial para garantir não apenas mais anos de vida, mas uma vida plena e saudável ao longo desses anos.

    Academia da Saúde estudo PURE infarto prevenção risco cardiovascular
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