Desafios na Política de Incentivo à Leitura em Alagoas
Um diagnóstico recente divulgado pelo Governo de Alagoas evidencia que quase 70% dos municípios do estado, especificamente 69,5%, não possuem leis voltadas para o incentivo à leitura e à promoção do livro. Esta situação pode comprometer a continuidade e o fortalecimento de políticas públicas essenciais para o setor cultural.
O levantamento ainda aponta que apenas 49 dos 102 municípios alagoanos têm bibliotecas públicas com cadastro atualizado, um indicativo preocupante da cobertura insuficiente no território. As bibliotecas municipais, que representam cerca de 40% dos espaços dedicados à leitura, são cruciais para o fomento do hábito leitor.
Além disso, o estudo revela outros formatos de espaços de leitura, como as bibliotecas escolares, que correspondem a 21,7%, e as bibliotecas comunitárias, que são 7,5% do total. Entretanto, a realidade é que muitos municípios ainda carecem de estruturas adequadas para promover o acesso à literatura.
Fragilidades na Cadeia Produtiva do Livro
Outro ponto abordado no diagnóstico são as fragilidades na cadeia produtiva do livro em Alagoas. A pesquisa aponta que 81,25% dos participantes não conheciam ou não conseguiam identificar distribuidoras de livros na região, sinalizando uma articulação frágil nesse segmento. Isso demonstra a necessidade urgente de desenvolvimento de políticas que possam estimular essa cadeia e melhorar o abastecimento de livros.
O documento também destaca desigualdades regionais, especialmente na distribuição de mediadores de leitura, que estão predominantemente em Maceió, enquanto as cidades do interior enfrentam uma escassez significativa desses profissionais. Essa desigualdade dificultava o acesso à leitura e à literatura em diversas regiões do estado.
O estudo foi realizado a partir de contribuições obtidas em uma consulta pública entre fevereiro e abril de 2025, envolvendo agentes culturais, instituições e representantes da sociedade civil. A versão final do diagnóstico foi aprovada em uma audiência pública em fevereiro de 2026, reforçando a relevância do debate sobre a leitura no estado.
Segundo Mellina Freitas, secretária de Cultura e Economia Criativa, o diagnóstico é um reflexo das vozes de quem vivencia o livro e a leitura diariamente. “Esse diagnóstico nasce da escuta. Ele reúne vozes de quem vive o livro e a leitura no dia a dia, nos municípios, nas escolas, nas bibliotecas e nos projetos culturais”, afirmou.
Iniciativas Locais e o Plano Estadual do Livro
Publicada no início deste mês pela Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult), a pesquisa integra as etapas de construção do Plano Estadual do Livro e da Leitura de Alagoas (PELL). O documento ressalta que a falta de normativas municipais direcionadas ao tema impacta diretamente a estruturação de programas de incentivo à leitura.
Apesar dos desafios enfrentados, o estudo também destaca iniciativas locais que têm buscado promover a leitura, como bibliotecas itinerantes e projetos comunitários de mediação literária em diversas regiões do estado. Essas ações são fundamentais para cultivar o hábito da leitura entre a população, especialmente os jovens.
O PELL, coordenado pelo governo estadual, objetiva ampliar o acesso ao livro, fortalecer bibliotecas e estimular a formação de leitores. Além disso, está alinhado ao Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e ao Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler), sendo estruturado em quatro eixos principais: democratização do acesso ao livro, formação de mediadores de leitura, valorização institucional da leitura e desenvolvimento da economia do livro.
Proler Bibliotecas e a Rede Nacional de Leitura
No mesmo cenário de fortalecimento das políticas públicas, foi lançado em Maceió o programa Proler Bibliotecas, uma colaboração entre o Ministério da Cultura e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Este programa estabelece uma rede nacional com 437 bibliotecas e espaços de leitura, englobando bibliotecas públicas, comunitárias, unidades prisionais e serviços voltados para indivíduos egressos do sistema prisional.
As instituições selecionadas no programa terão acesso a processos formativos, acompanhamento técnico e integração em uma rede colaborativa nacional que visa promover a leitura. As inscrições para participar do edital estão abertas até o dia 26 de abril, oferecendo uma oportunidade única para bibliotecas e espaços culturais.
O diagnóstico estadual será um guia fundamental na formulação de políticas públicas que visam expandir o acesso ao livro e à leitura em Alagoas, refletindo a necessidade urgente de ações coordenadas e efetivas para transformar o cenário atual.

