Incidente em Maceió e Seus Efeitos
MACEIÓ (AL) — O recente incêndio envolvendo o Volvo EX30, o modelo elétrico mais novo da fabricante sueca, trouxe à tona um alerta importante sobre a segurança do veículo. O incidente, que ocorreu em novembro de 2025 em uma concessionária, resultou na perda total do carro e gerou um clamor por um recall global.
O ocorrido é alarmante, especialmente porque o automóvel estava estacionado em um ambiente controlado, o que intensificou o debate sobre a segurança das sofisticadas baterias de alta tensão utilizadas pelo modelo. Após o incêndio, a Volvo anunciou um recall internacional, motivado pela constatação de riscos de superaquecimento em células fornecidas pela empresa chinesa Sunwoda Electronic.
De acordo com informações técnicas divulgadas pela montadora, existe a possibilidade de um fenômeno chamado “fuga térmica”, que pode levar a uma combustão espontânea da bateria devido a falhas internas. Embora esse evento seja raro, os especialistas alertam que suas consequências podem ser graves, particularmente em espaços fechados.
Medidas Emergenciais e Impacto na Autonomia
Como uma resposta imediata ao problema, a Volvo recomendou que os proprietários do EX30 limitem o carregamento da bateria a apenas 70% de sua capacidade total. Essa orientação abrange múltiplos mercados, incluindo Europa, Estados Unidos e vários países africanos, enquanto a montadora trabalha em um plano definitivo para substituir ou corrigir os componentes afetados.
Na prática, essa restrição impacta diretamente a autonomia do veículo, algo que é um dos principais atrativos do modelo elétrico. Muitos proprietários já expressaram insatisfação com a diminuição do alcance diário do EX30, além da incerteza quanto aos prazos para uma solução permanente.
Estimativas preliminares indicam que mais de 33 mil unidades do EX30 estão sob análise técnica em todo o mundo. Somente no Reino Unido, cerca de 10 mil veículos foram identificados com potencial risco em suas baterias fornecidas pela Sunwoda.
Reforço do Alerta e Implicações Locais
O incêndio em Maceió elevou ainda mais os alertas no Brasil. O fogo exigiu a mobilização de equipes do Corpo de Bombeiros e a adoção de protocolos específicos para contenção de incêndios em veículos elétricos, que requerem uma quantidade maior de água e cuidados adicionais devido à presença das baterias de lítio.
Embora a Volvo tenha afirmado que a taxa de falhas é bastante baixa, inferior a 0,1%, o incidente local intensificou a preocupação entre consumidores e especialistas da indústria automotiva. A situação se torna ainda mais complexa ao considerar as repercussões legais do problema.
Desdobramentos Jurídicos e Mercado Global
A Viridi E-Mobility, empresa relacionada ao grupo Geely, que é controlador da Volvo, entrou com uma ação judicial contra a Sunwoda, demandando cerca de US$ 323 milhões devido a possíveis defeitos de qualidade nos componentes fornecidos. Outras marcas do mesmo conglomerado, como a Zeekr, também enfrentaram reclamações sobre desempenho de bateria e lentidão no carregamento, o que evidencia um padrão preocupante.
Essa situação ocorre em um contexto de expansão significativa do grupo chinês no mercado global de veículos eletrificados. Em 2025, a Geely ultrapassou a marca de 4 milhões de veículos vendidos, com ênfase em modelos elétricos e híbridos. A Volvo, por sua vez, alcançou a venda de mais de 700 mil unidades no mesmo período.
Atenção para Proprietários em Alagoas
Perante todos esses desdobramentos, especialistas recomendam que os proprietários do Volvo EX30 em Alagoas fiquem atentos aos comunicados oficiais da montadora. É aconselhável evitar o carregamento total do veículo até que novas orientações sejam fornecidas e observar qualquer sinal de aquecimento anômalo nas baterias.

