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    Saúde

    Hérnias Abdominais: Afastamento do Trabalho e Classificação como Doenças Ocupacionais

    19 de junho de 2025
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    A hérnia abdominal é uma condição caracterizada pelo deslocamento parcial ou total de um ou mais órgãos internos, que se projeta através de uma abertura nas camadas de tecido que protegem a cavidade abdominal. Este problema de saúde pode ser resultante de uma má formação congênita ou do enfraquecimento dos músculos e tecidos ao longo do tempo. No Brasil, a prevalência de hérnias abdominais é alarmante, afetando entre 20% e 25% da população adulta, o que equivale a cerca de 28 milhões de pessoas. Essa condição não só impacta a saúde física dos indivíduos, mas também gera implicações socioeconômicas significativas.

    Um dado preocupante, conforme informações do Ministério da Previdência Social, revela que apenas a hérnia inguinal, que ocorre na região da virilha, resultou no afastamento de 28 mil trabalhadores de suas funções em 2023. Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a pedido de uma reportagem destacou que, nos anos de 2023 e 2024, foram concedidos 5.295 benefícios por incapacidade temporária e permanente relacionados à hérnia abdominal no Nordeste do Brasil. Em 2024, o número se manteve semelhante, com 5.250 concessões.

    As hérnias podem ser classificadas em dois tipos principais: as congênitas, que estão presentes desde o nascimento, e as adquiridas, que se desenvolvem ao longo da vida. Embora muitas hérnias sejam assintomáticas e não apresentem sinais evidentes inicialmente, elas podem evoluir e se tornar dolorosas, especialmente durante atividades como tossir, dobrar-se ou levantar objetos pesados. Portanto, é fundamental que os indivíduos busquem um diagnóstico médico adequado para monitorar a progressão da condição e garantir um prognóstico mais favorável.

    Um exemplo real é o caso de Raul Elias da Silva, um auxiliar de serviços gerais que precisou solicitar um benefício temporário de incapacidade devido a uma hérnia inguinal que se agravou com o tempo. Raul compartilha que, inicialmente, não sentia dor, mas observou um aumento na protuberância e no desconforto. Após a consulta médica, foi aconselhado a realizar uma cirurgia, uma vez que o tratamento conservador não era viável. “No começo, não me incomodava, mas com o passar do tempo, a hérnia começou a crescer e a causar dor. O médico explicou que a única solução era a cirurgia, então marquei o procedimento. Como precisava de repouso e não tinha outra fonte de renda, solicitei o benefício. Fiquei aliviado ao conseguir, pois me permitiu cuidar da minha saúde sem deixar minha família desamparada”, relatou.

    Raul, que trabalhava sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), não enfrentou grandes dificuldades para obter o benefício e voltou rapidamente à sua rotina. “A cirurgia é simples, e o pós-operatório não é complicado. Fiquei afastado por apenas 15 dias, e logo retornei ao trabalho, tomando cuidado para não me esforçar demais. Com dois meses, já estava fazendo tudo normalmente”, afirma. Essa realidade demonstra a importância do acesso a cuidados médicos adequados e à assistência social em momentos de necessidade.

    Entre janeiro e junho de 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou mais de 170 mil cirurgias para tratar diversas formas de hérnias, incluindo 19.808 atendimentos de urgência. Essa estatística evidencia a magnitude do problema e a necessidade de um sistema de saúde eficaz para lidar com as demandas da população.

    Os tipos de hérnias abdominais são variados e podem ser classificados conforme a área em que se manifestam. A hérnia inguinal, por exemplo, é a mais comum, ocorrendo na parede abdominal na região da virilha, sendo mais frequente em homens. Já a hérnia femoral, que também se localiza na virilha, tende a afetar mais mulheres idosas e se desenvolve um pouco mais abaixo. A hérnia umbilical, que se projeta através do umbigo, é comum em recém-nascidos, geralmente desaparecendo com o crescimento da criança.

    Outros tipos incluem a hérnia epigástrica, que se forma na linha média, acima do umbigo, e a hérnia incisional, que ocorre em cicatrizes de cirurgias anteriores. Já a hérnia hiatal, ou do hiato, acontece quando uma parte do estômago desliza para a cavidade torácica através de uma abertura no diafragma. Cada uma dessas condições requer atenção médica e, em muitos casos, intervenção cirúrgica para evitar complicações mais sérias. É essencial que a população esteja informada sobre os diferentes tipos de hérnias e busque ajuda médica ao notar qualquer sinal ou sintoma relacionado.

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