A Revolução das Flores na Zona da Mata
A paisagem tradicional de Viçosa, marcada pelos tons verdes e ocres das lavouras, agora se transforma com a introdução de cores vibrantes trazidas pela primeira colheita de crisântemos. Essa nova iniciativa não só embeleza a região, mas também sinaliza um ciclo de transformação econômica significativa. O solo alagoano, conhecido por sua fertilidade, não se limita apenas à produção de alimentos, mas também à criação de beleza que impacta diretamente a vida dos produtores rurais.
Desde o início dessa chamada “safra de aprendizado”, os agricultores estão percebendo a viabilidade dessa nova empreitada. Com 20 produtores desenvolvendo a cultura em Viçosa e outros 10 em Mar Vermelho, o projeto Plantas e Flores Ornamentais Temperadas, em colaboração com o Sebrae Alagoas e as prefeituras locais, busca explorar novas alternativas econômicas, respeitando as características do solo e as condições climáticas da Zona da Mata, que se mostram favoráveis para o cultivo de gladíolos e sansevierias.
Um Novo Horizonte para a Agricultura
Gênesis Geraldo Monteiro Cavalcante, um dos responsáveis pela propriedade modelo de crisântemos em Viçosa, acredita que as flores podem se tornar um investimento lucrativo na região. Apesar dos custos envolvidos, como irrigação e mão de obra, o cultivo de crisântemos pode se mostrar rentável mesmo em pequenas áreas. Por exemplo, com apenas três canteiros de 22 metros quadrados, é possível colher cerca de três mil flores em um ciclo de 80 dias, resultando em lucros de aproximadamente R$2.400 após a dedução dos gastos.
Para garantir um fluxo de renda estável, Gênesis compartilha que a estratégia envolve o plantio em etapas, permitindo colheitas em semanas diferentes. “Começamos com mil mudas para aprender e servir de exemplo para outros produtores. Embora tenhamos enfrentado perdas iniciais, isso nos ajudou a corrigir os erros e melhorar a produção. Os novos participantes estão se saindo muito bem e estão motivados”, afirma.
Superando Desafios e Inseguranças
O projeto, que começou em 2023, enfrentou muitos desafios, principalmente a desconfiança dos agricultores. Muitos ainda dedicavam suas terras apenas a culturas tradicionais como feijão e milho. Segundo Gênesis, “antigamente, falar em plantar flores para vender era visto como piada. Todos preferiam o cultivo de alimentos, pois a venda parecia garantida, mesmo que os preços não fossem atrativos”. Assim, a ideia de diversificação parecia um risco.
Para combater esse ceticismo, o Sebrae Alagoas implementou uma série de estratégias de suporte. Jacqueliny Martins, analista responsável pelo projeto, explica que os agricultores receberam assistência desde o plantio até a comercialização, incluindo capacitações e uma missão técnica à Expoflora, a maior feira de flores da América Latina. A parceria com a Bruno Flores foi crucial para assegurar o escoamento da produção para floriculturas e eventos.
Transformando Realidades e Fortalecendo Comunidades
As propriedades piloto para o cultivo de crisântemos foram selecionadas estrategicamente. Jacqueliny destaca que até fevereiro, mais quatro propriedades devem iniciar o plantio, permitindo uma avaliação mais precisa do desempenho da cultura frente a pragas e doenças.
Keylle Lima, diretor técnico do Sebrae Alagoas, vê no projeto um exemplo claro de como a diversificação pode mudar a vida dos agricultores familiares. O apoio do Sebrae se inicia com o planejamento e se estende ao acesso ao mercado, garantindo que a inovação aconteça de forma sustentável. “Estamos testemunhando o surgimento de uma nova cadeia produtiva que gera renda e valoriza o território”, ressalta.
Olhando para o Futuro: Expectativas para 2026
O sucesso da colheita de crisântemos abre um novo capítulo para a agricultura em Viçosa. Ao mesmo tempo, os produtores de Mar Vermelho estão celebrando a colheita de sansevierias e gladíolos, que já geraram cerca de R$ 100 mil até novembro. A adaptação dessas espécies às condições locais tem sido tão eficiente que os gladíolos, que normalmente levam 60 dias para crescer, estão prontos para a colheita em apenas 47 dias.
“Esse projeto já mudou nossas vidas e a realidade da nossa comunidade. Isso só foi possível graças ao apoio contínuo do Sebrae”, explica a produtora Edivane Souza. A Bruno Flores, ao garantir um preço fixo para a produção, oferece uma segurança vital aos agricultores, permitindo que eles se planejem melhor. Para 2026, Jacqueliny Martins projeta a ampliação do projeto, incentivando mais agricultores a enxergarem a floricultura como uma alternativa viável de renda.

