Impactos da Decisão no Setor Açucareiro
A recente decisão dos Estados Unidos de eliminar a sobretaxa sobre o açúcar brasileiro oferece novas oportunidades para o setor sucroenergético de Alagoas. No entanto, os efeitos práticos dessa medida devem ser notados com mais intensidade somente na próxima safra, que está prevista para começar em setembro. No estado, diversas usinas concluíram sua moagem e outras estão finalizando o ciclo referente à safra 2025/2026, o que implica que o impacto imediato será limitado.
A expectativa é de que a nova janela de exportação seja melhor aproveitada no ciclo seguinte, resultando em embarques mais competitivos dentro da chamada Cota Americana, com condições mais favoráveis do que as que existiam anteriormente. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, classificou a decisão como positiva. Entretanto, ele enfatizou a importância de se ter cautela em relação às etapas ainda pendentes após essa ação.
Oportunidades para os Produtores
O mercado norte-americano é considerado uma das principais fontes de receita para as usinas alagoanas. Apesar de representar cerca de 15% do volume total exportado, os embarques para os EUA são responsáveis por cerca de 20% do faturamento do setor, uma vez que os preços pagos no sistema de cotas são consideravelmente mais altos do que os oferecidos em outros mercados.
Além disso, a nova medida traz esperança também para os fornecedores de cana-de-açúcar, que têm enfrentado meses difíceis em termos financeiros. Edgar Filho, presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), expressou sua expectativa por uma recuperação nos preços pagos aos produtores, especialmente em relação ao ATR e à cana-de-açúcar.
Decisão da Suprema Corte e suas Consequências
A reversão da sobretaxa se deu após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou irregular a cobrança imposta em 2025 sobre diversos produtos brasileiros, incluindo açúcar e etanol. Essa taxa havia impactado severamente as exportações nordestinas, especialmente as de Alagoas, que é o principal fornecedor brasileiro dentro da cota americana.
Com a restauração das condições comerciais, o setor sucroenergético de Alagoas aposta em uma recuperação gradual das exportações e na melhora das receitas externas durante a safra 2026/2027. Contudo, o ritmo dessa recuperação será dependente de fatores como a evolução dos preços e a estabilidade nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. As informações são do jornalista Edivaldo Junior.

