Um Mergulho nas Raízes do Carnaval Alagoano
O Museu Theo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), localizado no coração de Maceió, preparou uma celebração especial para o próximo dia 6 de janeiro, a partir das 19h. O tradicional Bloco Filhinhos da Mamãe traz como tema nesta edição: “A vida é um drama corrente nas nuvens do universo”. Essa proposta reafirma a importância do carnaval como um espaço simbólico de resistência, onde a memória artística e a diversidade geracional se entrelaçam, fortalecendo a tradição carnavalesca alagoana.
Fundado em 1983 por artistas vinculados à Associação Teatral das Alagoas (ATA), o Filhinhos da Mamãe se tornou um marco no carnaval de rua de Maceió. Ao longo de mais de quatro décadas, o bloco não apenas sobreviveu, mas prosperou, mantendo viva a essência de unir arte, teatro e cultura popular. Suas ruas transformam-se em palcos vibrantes de uma celebração coletiva, onde cada participante é parte integrante de uma narrativa rica em história e diversidade.
A Vida como Renascimento Coletivo
A proposta desta edição do bloco evoca a ideia de que a vida, assim como o carnaval, é um ciclo em constante reinvenção. Crianças, jovens, adultos e idosos se reconhecem mutuamente, todos imersos em uma mesma história, entrelaçada por meio da arte, da música e das tradições que permeiam a cultura alagoana.
Hildênia Oliveira, museóloga e diretora do MTB, sublinha a relevância do Filhinhos da Mamãe no contexto carnavalesco alagoano: “O bloco já se estabeleceu como um dos símbolos mais representativos do nosso carnaval. Ele é um espaço inclusivo, um verdadeiro ícone que atende a todos os públicos e atua como um espaço de posicionamento político e social, unindo carnaval, arte e memória coletiva”, afirma.
Programação Cultural e Inclusiva
A programação do evento deste ano é uma verdadeira ode à cultura popular, apresentando uma variedade de expressões artísticas. Entre os destaques estão shows do DJ Voltex, do Maracatu Yá Dandara, performances de passistas de frevo e a Orquestra Santa Cecília. Essa diversidade musical reforça o compromisso do Filhinhos da Mamãe em valorizar manifestações que fazem parte do patrimônio cultural de Alagoas.
A interação entre diferentes linguagens artísticas é uma das características marcantes do bloco, que sempre se destacou por acolher um público variado e incentivar a participação como elemento fundamental da experiência carnavalesca. O evento é totalmente gratuito, permitindo que todos desfrutem sem barreiras.
Uma Homenagem Memorável
Um dos momentos mais aguardados do evento será a Fantasia da Mamãe, que em 2026 prestará uma homenagem especial à atriz Linda Mascarenhas, amplamente reconhecida como a Dama do Teatro Alagoano. Esta homenagem será acompanhada de um estandarte comemorativo, em celebração aos 70 anos da Associação Teatral das Alagoas (ATA), uma entidade crucial para a evolução das artes cênicas no estado.
Escolher Linda Mascarenhas como figura central da fantasia ressalta o compromisso do Filhinhos da Mamãe com a preservação da memória artística e o reconhecimento de trajetórias que foram fundamentais para o desenvolvimento da cultura em Alagoas, evidenciando sua influência na formação de grupos e movimentos que consagraram o carnaval de rua como um espaço de expressão cultural e engajamento social.
Reconhecimento e Protagonismo Popular
No decorrer da programação, também ocorrerá a entrega da Comenda do Mérito Artístico – Confete de Cetim, que homenageia personalidades que se destacam por suas contribuições à arte e à cultura. O tradicional Concurso de Fantasias Folião Pedro Tarzan também promete atrair muitos olhares, premiando o vencedor com o troféu Maracá de Lata, um símbolo dessa irreverência que permeia o carnaval.
Essas iniciativas reafirmam o caráter participativo do Filhinhos da Mamãe, que, desde sua fundação, valoriza a presença do público como protagonista e o carnaval como uma experiência coletiva de criação artística.
Carnaval: Um Patrimônio Cultural Vivo
Mais do que uma simples festa, o Filhinhos da Mamãe se consagra como um ato cultural que reafirma o carnaval como um patrimônio imaterial que preserva memória, identidade e expressão coletiva. Nascido da inquietação de artistas que buscavam revitalizar o carnaval de rua em Maceió, o bloco se tornou uma referência por sua capacidade de integrar teatralidade, crítica social e celebração popular.
Ao congregar gerações e diversas linguagens artísticas, o evento assegura a continuidade da tradição carnavalesca, promovendo um diálogo entre passado, presente e futuro da cultura alagoana. O Filhinhos da Mamãe permanece como um dos movimentos culturais mais significativos do calendário carnavalesco, celebrando a arte como um agente transformador e a memória como um componente essencial da vivência social.

