Reflexões sobre a escolha política da família Pereira
A eleição de 2022 em Alagoas foi marcada por uma série de peculiaridades, revelando um cenário político carregado de complexidade. Muitos se perguntaram: por que Jó Pereira não foi escolhida como a cabeça de chapa? As dúvidas ecoavam nas ruas, enquanto a população, quase como detetives, analisava os movimentos políticos que pareciam incompreensíveis. O que se via era um emaranhado de arranjos políticos, e o questionamento sobre a presença feminina nesses espaços se tornava cada vez mais pertinente.
Por que será que as mulheres ainda estão relegadas a posições de vice? Jó Pereira, conhecida por sua luta pela afirmação feminina e sua presença marcante na política alagoana, poderia ter sido a primeira mulher a governar o estado. Sua trajetória é marcada por coragem e uma postura firme contra as estruturas patriarcais que dominam a política local. Ao longo de seus dois mandatos como deputada estadual, entre 2015 e 2023, Jó se destacou na Casa de Tavares Bastos, defendendo causas relevantes e desafiando o status quo.
Alagoas, com 208 anos de história, ainda é dominada por figuras tradicionais, quase sempre do sexo masculino. Existe um clamor popular por mudança, mas, ao que tudo indica, existe também um temor nos bastidores entre os grandes adversários. “Jó Pereira será a cabeça de chapa?” – essa indagação pairou em conversas privadas entre alguns dos mais influentes da política alagoana, demonstrando a força que a ativista possui.
Embora a eleição de 2022 já tenha ficado para trás, a luta por reconhecimento e espaço continua. Arísia Barros, outra ativista influente, menciona que, em 2026, a família Pereira poderá fazer uma troca que suscitará novamente questionamentos. Segundo ela, ao optar por um jovem inexperiente em detrimento da competência de Jó Pereira, a família estaria retrocedendo, o que levanta debates sobre a necessidade de escolhas mais conscientes na política.
Essas dinâmicas revelam que o verdadeiro lugar da mulher é onde ela quiser, e a sociedade precisa urgentemente desafiar o patriarcado que ainda reina em muitos aspectos. É preciso que os homens do sistema dominador reconheçam que é hora de dar espaço para novas vozes e novas lideranças. No caso de Alagoas, a história de Jó Pereira serve não apenas como um retrato do que poderia ter sido, mas também como um chamado à ação para que mudanças efetivas sejam realizadas, respeitando e promovendo a liderança feminina.
Em suma, a maior distração da família Pereira foi, sem dúvida, não ter apostado em Jó como candidata a governadora. Alagoas Merecia Mais – e esse “mais” passa pela valorização das lideranças femininas que podem e devem ocupar o protagonismo nas esferas de poder. A luta por uma política mais inclusiva e representativa continua, e o futuro pode ser promissor se as escolhas forem feitas com coragem e visão. Assim, a esperança de que, em breve, o estado possa ver uma mulher à frente de sua liderança não é apenas um sonho, mas uma meta a ser alcançada.

