Condenação após julgamento no Fórum do Barro Duro
Na sexta-feira (12), o Tribunal do Júri de Maceió proferiu sentença condenatória de 21 anos de prisão contra o ex-cabo da Polícia Militar Gilmar, acusado do sequestro e assassinato do sargento Osmário. O julgamento ocorreu no Fórum do Barro Duro, na parte alta da capital alagoana, e se estendeu pelo segundo dia até a decisão final.
Cumprimento da pena em presídio comum de segurança máxima
O réu respondia ao processo em liberdade até a condenação. O juiz Geraldo Amorim determinou que Gilmar cumpra a pena em um presídio comum de segurança máxima, afastado da unidade militar, já que o ex-policial foi expulso da corporação. “Se tivesse ido para a reserva ou reforma, iria para o presídio militar, mas como foi expulso, irá para um presídio comum. Longe dos demais presos, até porque, de qualquer forma, o senhor é um ex-policial militar”, explicou o magistrado.
Filha do sargento participa da acusação e relembra o trauma
O crime aconteceu há quase 27 anos, quando o sargento Osmário foi sequestrado em frente à sua casa, na presença da filha, que tinha apenas 4 anos na época. Cinara, hoje advogada e filha do militar, esteve presente ao julgamento como assistente de acusação e dirigiu-se diretamente aos jurados. “Eu converso com meu pai todos os dias. O réu tem uma filha da minha idade e gostaria de saber o que é ter um pai. Não me conforta estar aqui, porque meu pai não voltará”, afirmou.
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Fonte: daquibahia.com.br
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Fonte: ocuiaba.com.br
Cinara também recordou o período em que viveu sob escolta policial permanente após o assassinato do pai. “Eu tinha dois policiais 24 horas comigo para me proteger e eu pedia para eles brincarem comigo, porque eu não tinha meu pai”, contou.
Família viveu sob medo constante, destaca assistente de acusação
Thiago Cavalcante, assistente de acusação, ressaltou o impacto do crime na família. “Acompanhei os traumas dela, o medo de sair de casa, de ir ao cinema, a um shopping. Cresceu sofrendo. Ele matou a família toda”, declarou.
Promotora reforça responsabilidade dos jurados
A promotora de Justiça Adilza de Freitas destacou a importância da participação da filha do sargento na acusação e convocou os jurados a darem uma resposta à sociedade. “Tirem o peso das costas. Se hoje estamos aqui é porque tem um culpado”, disse. “O morto não tem advogado, não pode falar, chorar, apresentar a versão dos fatos.”
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Fonte: odiariodorio.com.br
Reconhecimento do réu pela viúva e histórico de adiamentos
A acusação também evidenciou que a viúva do sargento, Nair, reconheceu Gilmar como o autor do crime, descartando a participação de outras pessoas. Após a confecção de um retrato falado, ela identificou o ex-policial entre outras pessoas. A defesa, por sua vez, solicitou o adiamento do julgamento em 12 ocasiões ao longo dos anos, sendo o último pedido feito em abril deste ano.
Ao final dos debates, os jurados aceitaram a tese do Ministério Público e condenaram o ex-cabo da PM pela morte do sargento Osmário, encerrando o processo quase três décadas após o crime.

