Conexão Vital entre Meio Ambiente e Saúde
Entre os dias 30 de março e 2 de abril, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realiza um workshop em sua sede, na capital Maceió, para o encerramento do projeto de pesquisa Prisma. Este evento, que reúne professores e estudantes bolsistas, marca a conclusão de uma investigação aprofundada sobre a inter-relação entre fatores climáticos, poluição atmosférica e saúde pública.
À frente do projeto, estão os professores doutores Fabrício Silva, Glauber Mariano e Heliofábio Gomes, todos do Instituto de Ciência Atmosféricas (Icat). O pesquisador Marcos Paulo Pereira também contribui para as análises e resultados do estudo.
O Prisma — Projeto de Pesquisa em Clima, Poluição e Saúde — tem como foco a análise do impacto da meteorologia e da qualidade do ar na vida de sete importantes capitais da América do Sul. A partir dos dados coletados, uma série de modelos preditivos foi desenvolvida, oferecendo suporte aos gestores em saúde e no planejamento urbano, especialmente na previsão de internações hospitalares por doenças respiratórias nas cidades analisadas.
A pesquisa é financiada pela chamada CNPq/Decit/SecTICS/MS Nº 18/2023 e abrange as cidades de Maceió, Salvador, Recife, Porto Alegre, Curitiba, além de Lima (Peru) e La Paz (Bolívia). A ampla rede de colaboração inclui instituições como as universidades federais da Bahia (Ufba), de Pelotas (Ufpel), de Fronteira Sul (UFFS), assim como a Universidad Mayor de San Andrés (Bolívia) e a Universidad Nacional Tecnológica de Lima Sur (Peru).
Impactos Diretos na Saúde da População
O professor Glauber Mariano destaca que a principal inovação do projeto Prisma reside na capacidade de transformar dados científicos em ferramentas práticas que podem ser utilizadas pela sociedade para a gestão de leitos hospitalares. Ele enfatiza que a pesquisa possibilitou a criação de sistemas que antecipam as internações hospitalares.
“Desenvolvemos modelos preditivos que conseguem sinalizar um aumento nas internações por doenças respiratórias com uma antecedência de até duas semanas. Para as cidades de Maceió e Recife, os índices de precisão foram notavelmente altos, utilizando variáveis meteorológicas locais”, esclareceu Glauber.
O próximo passo, conforme aponta o pesquisador, é a entrega oficial dessas ferramentas para que sejam aplicadas diretamente nas secretarias de saúde em níveis municipal, estadual e federal. Porém, ele adverte que a precisão dos modelos depende da qualidade e abrangência dos dados locais disponíveis.
“Em algumas das capitais analisadas, observamos que a integração de dados de estações de referência para poluição atmosférica contribuiu significativamente para a melhoria dos modelos preditivos. Contudo, Maceió e Recife ainda não contam com esses equipamentos de alta precisão, o que limita o potencial máximo da ferramenta nessas regiões”, afirmou Glauber.
Atualmente, Maceió possui apenas uma rede de sensores de baixo custo, mantida pelo Icat/Ufal, que indica de forma geral a qualidade do ar. O professor ressalta que, embora esses dispositivos ajudem a compreender o cenário atual, eles não substituem as estações de referência necessárias para análises mais detalhadas e para a otimização dos modelos preditivos de internações.
“A possibilidade de expansão e melhoria contínua do projeto existe, mas isso está condicionado ao investimento em infraestrutura de monitoramento nas cidades. Sem esses avanços, o projeto não alcançará seu pleno potencial”, conclui o professor.

