A Entrega de Moradias e o Debate Político em Maceió
Na última sexta-feira (23/1), Maceió parou para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que participou da entrega de 1.337 moradias do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. Além das habitações, foram entregues sete ambulâncias para o serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e 17 Unidades Odontológicas Móveis. As novas moradias estão situadas nos empreendimentos Dr. Pedro Teixeira Duarte I e II, Parque da Lagoa e Diana Simon Duarte, no bairro da Santa Amélia.
A visita, de caráter institucional, não apenas cumpriu sua função oficial, mas também serviu para esquentar o debate político eleitoral em Alagoas. Embora não tenha sido possível esclarecer todas as alianças e candidaturas, foi possível observar a presença de algumas figuras chave e suas posturas. O evento deixou claro o cenário político para o estado, especialmente à medida que se aproximam as eleições.
Ausências Notáveis e Aliados em Destaque
A presença do senador Renan Calheiros (MDB), um tradicional aliado de Lula, foi uma ausência notável. De acordo com Renan Filho (MDB), ele não pôde comparecer devido a compromissos já agendados, mas enviou uma mensagem reafirmando que “em 2026 estará onde sempre esteve, ao lado do presidente Lula”.
Outro nome que não participou do evento foi o deputado federal Arthur Lira (PP), que no passado havia sido vaiado em uma ocasiões similar ao lado de Lula. Embora tenha sido visto nas fotos da entrega das ambulâncias, sua ausência na comitiva que foi ao palco foi notada.
No entanto, o evento contou com figuras relevantes. O prefeito de Maceió, JHC (PL), demonstrou um apoio visível ao presidente, posicionando-se ao seu lado no palco e fazendo um discurso em que ressaltou sua gratidão ao Governo Federal. “O povo saberá reconhecer os seus esforços”, afirmou JHC, que ainda declarou: “Na política, temos que apontar menos os dedos e estender mais as mãos”.
Compromissos e Alianças em Jogo
O governador Paulo Dantas, por sua vez, não apenas reafirmou seu apoio a Lula, mas também manifestou seu desejo de ajudar a eleger Renan Filho como seu sucessor. Ao seu lado, estavam outros líderes políticos, incluindo o presidente do PT, Ronaldo Medeiros, e deputados federais como Paulão (PT) e Isnaldo Bulhões (MDB). A senadora Eudócia Caldas (PL), mãe de JHC, também esteve presente, recebendo menções nos discursos, embora não tenha falado.
Entre os ministros presentes estavam Jader Filho (Cidades), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Saúde). Renan Filho, que fez parte da comitiva ministerial, aproveitou a oportunidade para criticar o governo anterior, lembrando a negligência de Bolsonaro durante a pandemia, quando ele era governador. Ele agradeceu a Lula pela retomada dos investimentos em saúde desde o início de seu mandato.
Um Evento com Clima de Campanha
O clima do evento foi de celebração, com milhares de pessoas presentes, muitas delas vindas de diversas partes do estado. Lula foi ovacionado com gritos de apoio e jingles de campanhas passadas, reforçando sua conexão com o público. Durante a fala do ministro Guilherme Boulos, houve manifestações contrárias aos pedidos de anistia para os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, onde a plateia se uniu em um grito uníssono: “Sem anistia!”.
A solenidade foi encerrada com um discurso de Lula, que compartilhou trechos emocionantes de sua trajetória e sublinhou a importância da moradia para a população. Em um momento institucional, ele evitou abordar as eleições locais e focou em elogiar os gestores presentes, referindo-se a eles como “meu prefeito e meu governador”.
Lula destacou que seu papel como governante é atuar como um cuidador, ressaltando que sua eleição não é apenas para governar, mas para cuidar do povo que mais precisa. Além disso, fez uma crítica contundente a gestão anterior, afirmando que o país estava “como uma casa alugada para quem não prestava” e enfatizou sua determinação em combater a violência contra a mulher, um tema que tem sido prioridade em seu governo.
Durante a cerimônia, Lula entregou simbolicamente a chave de uma casa a cinco famílias que foram contempladas entre as 1.337 moradias, interagindo com cada uma delas e reforçando seu compromisso com a habitação digna e o bem-estar social.

