A Importância do Encontro entre Lula e Trump
Qual será a imagem que marcará a política brasileira em 2025? A coluna destaca o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Malásia como a mais significativa, justamente por ser considerada improvável no início do ano. Enquanto alguns argumentam que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ter um impacto maior, visto que envia um alerta a potenciais golpistas, a realidade da condenação e encarceramento de Bolsonaro eram previsíveis desde o começo de 2025. Embora não se soubesse exatamente a data do julgamento ou a duração das penas, poucos duvidavam de que a tentativa de golpe liderada por Bolsonaro não ficaria sem consequências.
O cenário do encontro entre Lula e Trump parecia, de fato, distante por três razões principais: a falta de afinidade entre os dois líderes, a priorização de outras questões por parte dos Estados Unidos em relação ao Brasil e a hesitação de Lula em estreitar laços, já que havia apoiado a candidatura da democrata Kamala Harris. A relação se deteriorou ainda mais após a implementação do tarifaço por Trump, uma ação interpretada como retaliação ao processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
A diplomacia brasileira, com o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin, trabalhou arduamente para convencer Lula a não retaliar. O presidente brasileiro era um defensor do diálogo, mas hesitava em solicitar uma reunião, receando o mesmo tipo de humilhação que Volodimir Zelensky enfrentou anteriormente na Casa Branca.
O cenário mudou durante a Assembleia-Geral da ONU em Nova York, onde Trump surpreendeu ao mencionar que havia encontrado Lula nos bastidores e que sentiu uma “química” entre eles. Esse comentário abriu portas para um telefonema e, eventualmente, para o primeiro encontro em território neutro, na Malásia.
O desfecho desse encontro trouxe uma mudança significativa: Trump decidiu reverter a maior parte do tarifaço, uma decisão que não se baseou apenas na “química” entre os líderes, mas nas necessidades econômicas dos Estados Unidos. A sobretaxa imposta sobre produtos brasileiros estava elevando os preços nos EUA, e a revisão se tornava uma medida necessária para aliviar tensões internas.
Para Lula, essa distensão foi benéfica em dois aspectos: economizou os exportadores brasileiros e gerou um contexto político favorável, enfraquecendo Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que havia criado animosidades entre membros do governo Trump e o Brasil.
Além disso, Trump revogou a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reafirmando o respeito pela longa história de boas relações entre Brasil e Estados Unidos.

