Educação das Mulheres em Alagoas Cresce, Mas A Disparidade Salarial Persiste
A realidade educacional das mulheres em Alagoas revela um paradoxo: elas possuem um nível de escolaridade superior ao dos homens, mas ainda enfrentam uma significativa diferença salarial no mercado de trabalho. Esses dados foram apresentados no estudo intitulado “Mulheres no Censo 2022 – Resultados do Universo e da Amostra”.
Conforme o levantamento, 46,8% dos homens (totalizando 494.307) não possuem instrução ou têm o ensino fundamental incompleto, enquanto essa porcentagem é de 40,81% para as mulheres, que somam 491.830. Nos grupos com ensino fundamental completo ou médio incompleto, as discrepâncias são menores: 15,69% dos homens (165.674) e 14,26% das mulheres (171.899).
A diferença se torna mais pronunciada nos níveis mais elevados de escolaridade. Entre os que possuem ensino médio completo ou superior incompleto, as mulheres representam 30,85% (371.782), enquanto os homens estão em 28,19%. O cenário é ainda mais favorável para o sexo feminino no caso do ensino superior completo, onde 14,07% das mulheres (169.534) têm essa formação, em comparação com 9,32% dos homens (98.462).
Embora a presença feminina tenha crescido nos níveis mais altos de escolaridade, a desigualdade salarial se mantém. A renda média mensal das mulheres é de R$ 1.928,91, enquanto a dos homens atinge R$ 2.106,39. Em termos gerais, os salários das mulheres correspondem a 91,57% dos recebidos pelos homens no estado.
Essa diferença salarial varia conforme a ocupação. No setor privado, as mulheres chegam a ganhar 100,22% do que os homens. Nas empresas estatais, esse percentual é de 97,39%. Porém, a desigualdade se acentua em outras áreas. No setor público, a remuneração feminina equivale a apenas 79,77% da masculina. Para trabalhadores domésticos, essa porcentagem é de 79,86%, enquanto na carreira militar, as mulheres recebem 81,88% do que os homens.
Para aquelas que atuam como autônomas, a desigualdade salarial é notável, com as mulheres recebendo 84,25% do que os homens. No entanto, quando ocupam posições de empregador, esse percentual aumenta para 88,32%. Esses dados evidenciam a necessidade de uma reflexão urgente sobre as políticas de igualdade salarial e a valorização do trabalho feminino, especialmente em um estado onde o potencial educacional das mulheres é indiscutível.

