Desafios para Prefeitos que Deixam o Cargo
A estratégia de renunciar ao cargo de prefeito antes do término do mandato para concorrer ao governo estadual enfrenta um histórico de fracassos no Brasil, e essa questão ganha destaque nas discussões políticas em meio às articulações para as eleições de 2026. No centro dessa controvérsia está o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC.
Dados levantados por O Globo sobre os resultados das eleições desde 2002 revelam que apenas seis dos dezenove prefeitos de capitais que optaram por deixar o cargo para se candidatar ao governo conseguiram sair vitoriosos. A maioria, na verdade, enfrentou derrotas. Entre os poucos casos notáveis de sucesso, destacam-se figuras como João Doria, de São Paulo, e José Serra, além de outros governadores eleitos em estados como Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraná e Paraíba.
Recentemente, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, é um exemplo emblemático de insucesso. Ele abandonou seu cargo para pleitear a governadoria de Minas Gerais em 2022, mas foi derrotado no primeiro turno. Tal histórico levanta preocupações sobre os riscos que os prefeitos enfrentam ao tomar essa decisão.
Além de Maceió, outros prefeitos de grandes capitais, como Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, e João Campos, em Recife, também estão considerando deixar seus cargos até abril para se lançarem na disputa pelos governos estaduais. Segundo especialistas, essa escolha pode gerar um desgaste político significativo, pois muitos eleitores podem enxergar essa atitude como uma quebra de compromisso assumido nas urnas.
Em Maceió, informações de interlocutores próximos a JHC indicam que o prefeito ainda está em processo de avaliação do cenário eleitoral e dos possíveis adversários que poderá enfrentar. A candidatura do ministro dos Transportes, Renan Filho, é identificada como um dos fatores que pode ter um impacto considerável no quadro político de Alagoas. Essa situação torna a decisão de JHC ainda mais crucial para o futuro político do estado.
A reflexão sobre os riscos e benefícios dessa estratégia ressoa entre políticos e analistas, que ponderam se vale a pena deixar uma posição consolidada em troca de uma candidatura que pode não garantir êxito. Em tempos de incerteza política, o caminho escolhido por JHC e outros prefeitos será amplamente observado, uma vez que pode moldar o cenário eleitoral em Alagoas e influenciar as dinâmicas políticas em todo o Brasil.

