Desafios na Canavieira
À medida que se aproximam os meses finais da moagem da safra de cana-de-açúcar, o setor canavieiro em Alagoas enfrenta sérias dificuldades. Com uma queda de 15,2% na produção e perdas financeiras que ultrapassam 28%, a situação é alarmante. As causas desse cenário preocupante incluem condições climáticas desfavoráveis, recuo do Açúcar Total Recuperável (ATR) e a oscilações nos preços do etanol e do açúcar. Estima-se que os prejuízos na atual safra excedam R$ 300 milhões.
De acordo com dados do Sindicato da Indústria do Açúcar e Etanol de Alagoas (Sindaçúcar/AL), até meados de janeiro, mais de 314,7 milhões de litros de etanol foram produzidos a partir da cana-de-açúcar. Comparando com o mesmo período da safra anterior, onde o volume foi de 309,1 milhões de litros, houve um leve crescimento de 1,8%. Do total de etanol produzido, 171,157 milhões de litros referem-se ao etanol hidratado, enquanto 143,543 milhões de litros correspondem ao etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina.
Produção e Desafios Financeiros
Das 15 usinas operando na safra 25/26, doze estão dedicadas à produção de etanol em Alagoas. Entre essas, sete relataram um aumento no volume de produção em comparação ao ciclo anterior, com variações que variam de 1,8% a impressionantes 53,4%. Nos quase cinco meses de moagem, mais de 12,7 milhões de toneladas de cana foram processadas, das quais mais de dois milhões de toneladas foram destinadas à produção de etanol.
No que diz respeito à produção de cana-de-açúcar, os números também são preocupantes. Foram registradas 6,31 milhões de toneladas, uma redução em relação às 7,36 milhões de toneladas da safra anterior (2024/25). Simultaneamente, o preço médio da tonelada padrão caiu de R$ 163,53 para R$ 137,07.
Conforme informações da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas (Asplana), os fornecedores de cana enfrentam uma queda de R$ 338 milhões em faturamento. Na safra passada, o faturamento bruto estimado foi de R$ 1,2 bilhão, enquanto na atual a previsão não passa de R$ 865 milhões.
Cenário Crítico para o Setor
O presidente da Asplana, Edgar Antunes, descreve a situação como uma das mais críticas que o setor sucroenergético já enfrentou em Alagoas. “Estamos diante de uma das maiores crises da história do setor. Os fornecedores foram pegos de surpresa logo no início da safra com uma queda abrupta nos preços. A combinação da redução da produtividade no campo e do recuo do ATR gerou prejuízos financeiros que podem ultrapassar 50% entre uma safra e outra em diversos casos”, enfatiza.
A queda contínua no ATR também tem gerado um clima de apreensão. Desde outubro do ano passado, o valor do Açúcar Total Recuperável registrou uma diminuição de 12,2%, refletindo a queda dos preços de etanol e açúcar no mercado. Para se ter uma ideia, o valor líquido do ATR em setembro de 2025 era de R$ 1,3482, caindo para R$ 1,1830 em outubro, o que impacta diretamente a lucratividade da cadeia produtiva.
Em dezembro de 2025, o preço médio líquido do ATR foi de R$ 1,226, encerrando o ano com uma média acumulada de R$ 1,2014. Segundo a Asplana, com a queda dos preços, a produção de cana tem enfrentado uma oscilação negativa entre 10% e 30% em todo o estado, comprometendo, inclusive, a capacidade de pagamento aos fornecedores de cana.
Consequências para os Fornecedores
Apesar do cenário desafiador, a produção de etanol apresenta resultados que, a médio prazo, podem trazer um otimismo moderado. No entanto, muitos fornecedores estão enfrentando graves dificuldades financeiras. “Unidades industriais, especialmente na região Norte, estão com problemas para honrar os pagamentos e têm optado por parcelar as dívidas com os fornecedores. Há dias em que os pagamentos não são realizados, deixando os fornecedores em uma situação desesperadora, tendo que decidir entre manter o investimento na cana ou sustentar suas famílias”, ressalta.

