Déficit Comercial e Impacto do Preço do Açúcar
Alagoas encerrou o primeiro semestre com um déficit comercial de US$ 240,9 milhões, resultado diretamente ligado ao cenário internacional, que derrubou o preço do açúcar – principal produto exportado pelo estado. Essa queda afetou o desempenho das vendas para o exterior e refletiu na balança comercial estadual. Apesar do quadro desfavorável, há expectativa de reversão caso a conjuntura internacional melhore e a produção agrícola retome seu ritmo normal.
Dados do Comércio Exterior e Dependência da Economia Local
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de Alagoas somaram US$ 351,4 milhões no primeiro semestre, uma queda de 28,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, as importações alcançaram US$ 592,3 milhões, com alta de 25,7% comparado a janeiro a junho de 2025. Esses números confirmam que o estado importou mais do que exportou, revelando um desequilíbrio na balança comercial.
Dielze Mello, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA), destaca que esse resultado negativo evidencia a alta dependência do setor sucroenergético. A queda dos preços internacionais do açúcar, associada ao período de entressafra e à redução das exportações de etanol, mostra o quanto a economia local é sensível às oscilações do mercado global de commodities agrícolas.
Produtos e Destinos das Exportações Alagoanas
Além do açúcar, o estado exportou minério de cobre, tabaco e tubos de plástico – este último ganhando destaque entre os principais produtos comercializados. Os principais destinos foram China, Argélia e Geórgia. O município de Craíbas liderou as exportações, respondendo por 43,56% do total, principalmente pela mineração de cobre da Vale Verde. Outras cidades com forte atividade canavieira, como Coruripe, São Luís do Quitunde e Igreja Nova, também contribuíram para o volume exportado.
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Dielze ressalta que a ampliação da participação de produtos industriais, como os tubos de plástico, é uma tendência importante para reduzir a dependência do setor sucroenergético, fortalecendo a resiliência da economia alagoana diante das variações dos mercados internacionais.
Panorama do Nordeste nas Exportações e Importações
No Nordeste, as exportações totalizaram US$ 12 bilhões no primeiro semestre de 2026, com retração de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações somaram US$ 13,8 bilhões, crescendo 3,5%, o que resultou em déficit regional de US$ 1,8 bilhão. Cinco estados da região apresentaram superávit, com destaque para Bahia, Maranhão e Piauí na exportação de soja, Rio Grande do Norte em óleos combustíveis, e Sergipe em óleos brutos de petróleo.
O Maranhão registrou o maior superávit, com US$ 437,1 milhões, enquanto Pernambuco teve o maior déficit, de US$ 2,6 bilhões. Esses dados mostram a diversidade e os desafios econômicos da região, com variações significativas entre os estados.
Importações e Dinamismo Industrial em Alagoas
As importações de Alagoas refletem um aumento da atividade industrial, especialmente em Maceió e região metropolitana. Produtos como químicos, betume de petróleo e óleos de palmiste foram os principais itens adquiridos do exterior, principalmente da China, Estados Unidos e Indonésia. Esse movimento indica que a economia local mantém um ritmo ativo, impulsionando a demanda por insumos industriais e derivados de petróleo.
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Dielze Mello observa que, apesar do aumento do déficit comercial, esse crescimento nas importações pode representar investimentos produtivos e maior movimentação nos setores industriais e de infraestrutura do estado.
Perspectivas para o Segundo Semestre
As projeções para o restante do ano dependem da recuperação da safra de cana-de-açúcar, da estabilidade dos preços internacionais do açúcar e do etanol, além da continuidade da expansão dos setores industriais que vêm ganhando espaço nas exportações. O Centro de Negócios Internacionais da FIEA reforça que a diversificação da base produtiva, a agregação de valor aos produtos e a ampliação dos mercados internacionais serão fundamentais para melhorar os resultados comerciais de Alagoas.
Assim, se o cenário global se mostrar mais favorável e a produção agrícola normalizar, parte do déficit registrado no primeiro semestre poderá ser revertida, abrindo caminho para um crescimento mais sustentável e menos vulnerável às oscilações do mercado internacional.

