Ação Judicial da DPAL
A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPAL) tomou uma medida decisiva ao entrar com uma ação jurídica em múltiplas frentes, com o objetivo de bloquear a transferência de controle da Braskem para a gestora IG4 Capital. Essa ação, que já foi protocolada nas instituições CADE, CVM e CGU, levanta sérias preocupações sobre a natureza do acordo de venda, caracterizado como uma “tentativa de fraude contra as vítimas” do desastre socioambiental que afetou a cidade de Maceió.
A DPAL argumenta que o contrato em questão prioriza o pagamento aos bancos credores, isolando os ativos que deveriam ser utilizados para as indenizações de aproximadamente 120 mil vítimas, colocando esses recursos em um veículo sem lastro financeiro. Esta situação, segundo a Defensoria, compromete seriamente a reparação a ser oferecida às famílias afetadas.
Implicações no CADE e Concorrência
Em relação ao CADE, a DPAL alega que a operação fere os princípios da livre concorrência, uma vez que a Braskem, ao se desfazer de sua responsabilidade financeira real, poderá operar com custos artificialmente reduzidos. Isso, segundo a Defensoria, resultaria em uma vantagem indevida no mercado, prejudicando as vítimas do desastre e beneficiando a empresa em detrimento da justiça social.
Denúncia na CVM e Omissão de Informações
Na esfera da CVM, a DPAL requisita uma investigação sobre a omissão de informações relevantes por parte da Braskem. A Defensoria pública acusa a empresa de subestimar o passivo relacionado ao desastre e de induzir o mercado a erro sobre sua real saúde financeira. Como parte das medidas propostas, a Defensoria pede a suspensão da negociação das ações da Braskem até que uma auditoria independente possa ser realizada, garantido assim mais transparência ao processo.
Alerta à CGU sobre Riscos Futuros
Por fim, na CGU, a DPAL destaca que a Petrobras, como acionista e empresa estatal, pode estar sendo induzida ao erro. A Defensoria alerta para o risco de um “dano reverso ao erário”, caso a Braskem se torne insolvente e não consiga arcar com as indenizações devidas às vítimas no futuro. Essa preocupação é central para a ação da Defensoria e aponta para a necessidade de um acompanhamento rigoroso da situação financeira da Braskem.
Documentação e Inércia Estratégica
Além disso, a DPAL alega possuir documentos que demonstram que a liderança da IG4 foi previamente informada sobre mecanismos que garantiriam a reparação às vítimas. Entretanto, segundo a Defensoria, a empresa optou por uma “inércia estratégica”, com o intuito de acelerar um “acordo de balcão” que favorece as instituições financeiras, em detrimento das famílias que continuam a sofrer as consequências do desastre.
Este desenrolar dos eventos destaca a complexidade da situação e a luta incessante das vítimas por justiça e reparação adequada. A Defensoria Pública se coloca como um defensor ardente das reivindicações das vítimas, buscando garantir que seus interesses sejam respeitados em meio a um cenário de incertezas.

