Debate Sobre os Efeitos dos Ultraprocessados na Saúde Infantil
Uma proposta que pode mudar a alimentação nas escolas brasileiras está em discussão no Senado. O senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, apresentou um projeto de lei que visa proibir a venda de alimentos ultraprocessados, como biscoitos, refrigerantes e chocolates, nas cantinas escolares. O projeto, já aprovado pela Comissão de Fiscalização e Controle, agora segue para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde duas audiências públicas serão realizadas para discutir o impacto do consumo desses produtos, especialmente entre os jovens.
As audiências contarão com a participação de autoridades de saúde, nutricionistas e representantes de entidades de defesa do consumidor. A senadora Doutora Eudócia, do PL de Alagoas, que também propôs um projeto relacionado ao tema, será uma das vozes ativas nos debates. Sua proposta exige a inclusão de rótulos de advertência em alimentos ultraprocessados, reforçando a necessidade de alertar os consumidores sobre os riscos associados a esses produtos.
Estudos indicam uma relação alarmante entre o consumo excessivo de ultraprocessados e o aumento de casos de câncer colorretal entre os jovens. Além de oferecer uma alternativa saudável, o projeto de Jaques Wagner promove o incentivo à venda de alimentos que respeitem a cultura e as tradições locais, como frutas, legumes da estação e pratos com baixo teor de sal e açúcar. A nutricionista esportiva Sandra Lima destaca que a regra para identificar um alimento ultraprocessado é simples: quanto maior a duração do produto nas prateleiras, menor a expectativa de vida de quem o consome.
A especialista alerta os pais que frequentemente utilizam guloseimas como recompensas para as crianças. O Atlas Mundial de Saúde revela que, se as tendências atuais continuarem, o Brasil poderá se tornar o quinto país com maior taxa de obesidade infantil até 2030. Projeções para 2035 indicam que cerca de 50% das crianças e adolescentes podem estar com sobrepeso ou obesidade, o que é muitas vezes negligenciado como uma questão de saúde. Alimentos ultraprocessados são caracterizados pela presença de substâncias artificiais, como corantes, gorduras hidrogenadas e açúcares, e seu consumo excessivo está associado a doenças graves, como diabetes tipo 2, infarto, aterosclerose e câncer.
Essas discussões no Senado são essenciais para promover uma alimentação mais saudável entre os jovens e conscientizar a sociedade sobre os riscos dos alimentos ultraprocessados. Com iniciativas como estas, espera-se não apenas melhorar a saúde das futuras gerações, mas também fomentar um ambiente escolar mais nutritivo e equilibrado.

