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    Início»Cultura»Cultura Rato: A Nova Estética do Carnaval Pernambucano que Viraliza nas Redes
    Cultura

    Cultura Rato: A Nova Estética do Carnaval Pernambucano que Viraliza nas Redes

    25 de fevereiro de 2026
    Cultura Rato: A Nova Estética do Carnaval Pernambucano que Viraliza nas Redes
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    A Nova Estética que Viraliza

    No Recife, cidade famosa pelo icônico ‘homem-caranguejo’ que, nos anos 90, ajudou a projetar o Manguebeat no cenário cultural internacional, uma nova estética urbana emergiu nas redes sociais: a cultura rato. Anteriormente centrada na lama e na identidade mangue, agora, o roedor se destaca como um símbolo bem-humorado da vivência nas periferias. A cultura rato, como se pode perceber, abrange não apenas cabelos estilizados e roupas diferenciadas, mas também um bloco de carnaval chamado ‘Ratas Peso’. Destaca-se, ainda, um bar inusitado montado dentro de um canal de esgoto, que conta com cadeiras, bebidas e até ratos dançando na água suja, criando um cenário que rapidamente se tornou tema de threads e publicações que viralizaram durante a folia.

    Segundo Thiago Soares, professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a cultura rato está diretamente relacionada às dinâmicas digitais e às expressões culturais presentes nas periferias. Ele ressalta a importância de conectar essa nova estética com a cultura digital contemporânea. “A cultura do rato traz um humor peculiar, refletindo as vivências das periferias e o ambiente digital. Isso permite uma visibilidade que antes era subestimada”, afirmou o professor.

    Poder da Performance Digital

    Para Thiago Soares, a força da cultura rato reside na maneira como explora o ambiente virtual para ampliar narrativas que historicamente foram marginalizadas. Ao transformar o rato em ícone, os criadores desafiam estigmas e elaboram novas formas de reconhecimento social. O influenciador Danilo Silva, que se autodenomina “mestre dos ratos” e é o criador do Ratos Bar, localizado no canal de esgoto da comunidade de Lemos Torres, na Zona Norte do Recife, também desempenha um papel fundamental nesse contexto. Segundo ele, o termo ‘rato’, utilizado antes de forma pejorativa, foi apropriado como símbolo de identidade por seu grupo.

    “Nos veem como ratos por nosso estilo maloqueiro, nossa forma de dançar e nos expressar, nosso jeito de falar, além dos cortes de cabelo e da maneira de nos vestirmos. Eu, como Danilo, sou considerado mestre dos ratos porque inspirei muitos ao meu redor ao longo do tempo”, compartilhou.

    Pertencimento e Identidade

    A declaração de Danilo destaca não apenas a ideia de pertencimento, mas também a liderança que o caracteriza dentro do movimento. Essa autoidentificação intensifica os laços entre os participantes e potencializa a visibilidade nas redes sociais. “O ratão e a cultura do rato não operam apenas no âmbito da ostentação. Embora isso possa ocorrer, o foco está mais associado a prazeres simples e à celebração da vida, compondo uma nova forma de ser e se mostrar”, explicou Soares.

    Embora a cultura rato dialogue com elementos típicos de exibição das redes sociais, o professor enfatiza que sua essência transcende a mera demonstração de status. O que realmente importa aqui é a construção de uma identidade coletiva marcada pela ironia e pelo humor. “É inegável que esse movimento é estigmatizado, especialmente quando se trata de homens negros das periferias. Contudo, a cultura rato emerge como uma resposta humorística a esses estigmas. O riso, por sua vez, é uma ferramenta de sobrevivência e de negociação social”, ressalta.

    Relações com o Passado Cultural

    Para Thiago, existe uma ligação interessante entre a cultura rato e o Manguebeat dos anos 1990. “O homem-caranguejo, por exemplo, é uma metáfora de sobrevivência, assim como o rato, que traz um aspecto mais cômico e descolado. Ambos refletem instintos de sobrevivência, mas em contextos diferentes”, concluiu. Essa conexão entre passado e presente demonstra como a cultura popular evolui, adaptando-se e se reinventando nas periferias, sempre com uma pitada de humor e resistência.

    carnaval Recife cultura rato Grito das Periferias Manguebeat
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