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    Início»Cultura»Cultura Pankará em Pernambuco: Um Patrimônio a Ser Reconhecido
    Cultura

    Cultura Pankará em Pernambuco: Um Patrimônio a Ser Reconhecido

    19 de abril de 2026
    Cultura Pankará em Pernambuco: Um Patrimônio a Ser Reconhecido
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    O Valor da Cultura Pankará

    A rica herança cultural do povo pernambucano é amplamente celebrada, mas muitos aspectos de sua história ainda permanecem invisíveis. Um dos focos desse resgate é o Inventário Participativo do Sistema Alimentar e Culinário do Povo Pankará, realizado em Carnaubeira da Penha, no Sertão do São Francisco. Este projeto, incentivado pela Fundarpe através do Funcultura, busca documentar e reviver as tradições alimentares desse povo indígena, desde o cultivo até o consumo dos alimentos.

    O inventário foi aprovado pelo edital Funcultura Geral 2023/2024 na categoria “Patrimônio Cultural”, que agora possui edital próprio, sob a coordenação da produtora Gato de Gengibre, liderada pela pesquisadora Monica Larangeira Jácome. Em andamento desde 2025, o projeto pode ser prorrogado até 2027. Após a validação do Funcultura, o inventário será avaliado pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural e tem boas chances de ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, tendo recebido um parecer favorável da Fundarpe sobre sua importância.

    Etapas do Inventário

    O inventário vai além de simplesmente catalogar receitas; ele se divide em cinco etapas essenciais: a produção de alimentos, as receitas, a memória gustativa da comunidade, o artesanato relacionado à alimentação e as celebrações em torno da comida. “Este trabalho não se limita às receitas, mas envolve um entendimento profundo sobre como os alimentos são cultivados, preparados e celebrados”, explica Monica Jácome. O projeto também prevê a criação de um documentário e o cadastro de mestres e mestras da cultura alimentar Pankará.

    A alimentação está entrelaçada com a cultura humana, refletindo tradições, memórias e relações sociais. As práticas alimentares, que incluem o que pode ser consumido e como isso é feito, são conhecimentos que transitam através de gerações e que podem se transformar com o tempo. Um exemplo dessa adaptação histórica é a mandioca, planta nativa da América do Sul, que tem sido incorporada por diversas culturas ao longo dos anos.

    Resgatando a Diversidade Cultural

    A valorização do sistema alimentar Pankará é crucial para proteger a diversidade cultural de Pernambuco. “A história da gastronomia frequentemente se concentra nos alimentos da elite, enquanto a diversidade das práticas alimentares dos povos indígenas e das comunidades locais permanece em segundo plano. O inventário é uma forma de enriquecer essa narrativa fragmentada e oferecer um reconhecimento amplo das contribuições culturais”, aponta a pesquisadora.

    Esse projeto é colaborativo, envolvendo a comunidade Pankará em todas as etapas. Atualmente, cinco bolsistas e uma produtora participam ativamente, e todos os membros da comunidade são integrados ao processo. Para garantir um respeito mútuo nas interações com a cultura indígena, foi realizada uma oficina para desenvolver um protocolo de consulta e consentimento. “Após cada fase, elaboramos uma prestação de contas para discutir e planejar os próximos passos”, ressalta a pesquisadora.

    A Importância das Tradições

    Para a cacica Dorinha, a iniciativa do inventário representa um fortalecimento das tradições Pankará: “Não se trata apenas de um registro alimentar, mas de um inventário de saberes, de cultura e de resistência”. O projeto busca preservar não apenas o consumo de alimentos, mas também as práticas de cultivo e colheita transmitidas pelos ancestrais. “Esses ensinamentos são vitais para nossas crianças e jovens, assegurando que nossos saberes permaneçam vivos”, acrescenta.

    Riqueza Gastronômica e Cultural

    A diversidade do sistema alimentar Pankará é vasta. O uso de alimentos como o coco catolé, que, por exemplo, é empregado como petisco entre não indígenas, revela a interconectividade cultural. “Os indígenas utilizam o coco catolé para criar um rosário, que é vendido como uma iguaria”, explica Jácome, que também destaca uma lista impressionante de ingredientes utilizados na culinária Pankará, incluindo mandioca, milho, feijão, frutas e carnes variadas.

    Além da gastronomia, as influências indígenas se manifestam de maneira rica na cultura pernambucana através do caboclinho, maracatu rural e ciranda, entre outros. O reconhecimento da Fundarpe, que oferece títulos de Patrimônio Vivo e abre editais para fomentar projetos culturais, é uma indicação do compromisso do governo em valorizar e preservar essa rica herança cultural. O edital para eleger novos Patrimônios Vivos de Pernambuco está aberto até 30 de abril, e as inscrições para o Funcultura Geral e Patrimônio Cultural vão até 13 de maio.

    Alimentação Acessível Carnaval de Pernambuco Cultura Pankará Patrimônio Cultural
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