Transformação na Vida Familiar
A aproximadamente 70 quilômetros de Maceió, no assentamento Chico Mendes/Bebidas, em União dos Palmares (AL), André Souza, de 40 anos, e Manoela Souza, de 38, decidiram mudar suas vidas e abraçar um novo desafio: cultivar café. Natural de Mantena, em Minas Gerais, André trabalhava na construção civil na capital alagoana até conquistar um lote por meio da reforma agrária. A paixão pelo cultivo de café, que ele começou a desenvolver na juventude, agora ganha vida em sua nova realidade.
Junto com sua esposa e a filha de três anos, a família deixou para trás a rotina de um bairro na periferia de Maceió e fixou residência em um assentamento que se destaca por sua geografia acidentada e clima propício – frio e úmido, ideal para o cultivo do café arábica. O lote onde reside está a 400 metros de altitude, e André emprega a técnica de terraceamento, que consiste em plantar em degraus, evitando a erosão e facilitando o manejo.
Expansão da Cultura do Café
Atualmente, André cultiva cerca de 1,5 hectare, onde plantou aproximadamente sete mil cafeeiros, com planos de expandir a área de cultivo para cinco hectares. Além disso, o casal já produziu 40 mil mudas de café, que foram comercializadas com outros assentados e agricultores de cinco municípios da região: União dos Palmares, Flexeiras, Santana do Mundaú, Murici e Jundiá. A iniciativa vem ganhando força, e o superintendente do Incra Alagoas, Júnior Rodrigues, enfatiza que as características do assentamento são extremamente favoráveis ao cultivo, tornando o café arábica uma opção vantajosa para a agricultura familiar, com um bom retorno econômico em áreas reduzidas.
Até o momento, 12 famílias dos assentamentos Chico Mendes/Bebidas, Santa Maria II e Limão já aderiram à ideia e estão cultivando cerca de 14 mil cafeeiros, contribuindo assim para o fortalecimento da comunidade e a diversificação da produção local.
Do Grão ao Pó: A Nova Agroindústria
A primeira colheita do café está programada para ocorrer entre maio e junho deste ano. Para dar suporte ao negócio, André já construiu um galpão destinado a abrigar uma agroindústria. Ele investiu na aquisição de um secador de grãos e uma máquina para descascar o café. Os planos futuros incluem a compra de equipamentos para torrar e moer os grãos, com a ambição de produzir seu próprio pó de café e criar uma marca que represente seu trabalho.
Com o auxílio do Sebrae, André também está considerando a formação de uma cooperativa para ampliar a produção e fortalecer a comercialização. A família já conta com a documentação necessária, como o Contrato de Concessão de Uso, Cadastro Ambiental Rural e Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, e está em busca de financiamento pelo Pronaf para estruturar o negócio. Para celebrar essa nova fase, ainda neste ano, pretendem realizar um evento de degustação do primeiro lote de café torrado e moído, que promete ser um marco em sua trajetória.

