Levantamento do Instituto Fecomércio aponta otimismo moderado entre os empresários do setor
Com os consumidores adotando uma postura mais cautelosa nas compras, optando por controlar o consumo e aumentando o uso do crédito para garantir despesas básicas, segundo pesquisas previamente divulgadas pelo Instituto Fecomércio Alagoas, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Maceió registrou um leve crescimento de 0,7%, alcançando 107,6 pontos. Esse estudo foi realizado em colaboração com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com o Instituto, essa leve estabilização, acompanhada de uma recuperação tímida, sugere que os empresários estão percebendo um ambiente de negócios com maior previsibilidade. No entanto, esse quadro não é uniforme. Ao analisar o indicador por porte das empresas, aquelas com até 50 funcionários alcançaram 107,8 pontos, situando-se próximas à média geral, enquanto as que possuem mais de 50 empregados marcaram 100,8 pontos. “As empresas de maior porte demonstram oscilações mais acentuadas em alguns componentes específicos, especialmente nas expectativas sobre a economia. Isso indica que, apesar do ambiente estar relativamente estável, os empresários de grande porte mostram-se mais sensíveis às projeções macroeconômicas, particularmente no que tange a crédito e consumo agregado”, explica Lucas Sorgato, assessor econômico do Instituto Fecomércio.
Variações Mensais Revelam Expectativas Otimistas
Na análise detalhada do indicador, o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) permanece abaixo dos 100 pontos, mas apresentou uma melhora mensal de 4,1% e um crescimento anual de 4,07%, indicando que o cenário de negócios é mais favorável em comparação com o mesmo período do ano passado. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) também teve um aumento mensal, alcançando 133 pontos. A medição das expectativas se baseia em três subíndices: expectativa da economia (113,4 pontos), expectativa do setor (136,3 pontos) e expectativa da empresa (151,3 pontos). “A confiança dos empresários em sua capacidade de gerar resultados permanece robusta ao longo do ano. Fevereiro não trouxe rupturas nas expectativas, mas sim uma acomodação em um patamar elevado”, analisa o economista.
Em relação ao Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), que ficou em 104,1, houve uma queda mensal de -2,1%, enquanto a variação anual permaneceu estável, com um aumento de 0,82%. Esse subindicador é particularmente interessante, pois reflete as expectativas de contratação de funcionários (110,6 pontos, recuo de -2,6% em relação a janeiro), o nível de investimento das empresas (104,5 pontos, com uma redução mensal de -3,4%) e a situação atual dos estoques (97,3 pontos, mantendo-se estável com uma variação de -0,1% no período).
Cenário Atual e Projeções Futuras
Para o Instituto, a retração mensal na intenção de investimento é condizente com o que se espera para fevereiro, um mês em que o comércio finalizou o ciclo de contratações temporárias típicas do final do ano e aguarda uma maior consolidação nas vendas antes de decidir por expandir a equipe ou aumentar os investimentos. Em termos gerais, fevereiro apresentou um panorama mais equilibrado do que janeiro. “Apesar de o empresário ainda demonstrar cautela no curto prazo, especialmente em relação à economia, ele mantém uma confiança elevada em seu próprio negócio e no desempenho do setor ao longo do ano. Esse cenário reflete um otimismo moderado e seletivo, consistente com uma economia que, embora ainda enfrente desafios estruturais, mostra sinais promissores de maior previsibilidade”, conclui Sorgato.

