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    Economia

    Cereais de Inverno: Uma Alternativa Sustentável para a Rotação de Culturas com Arroz e Soja

    27 de fevereiro de 2026
    Cereais de Inverno: Uma Alternativa Sustentável para a Rotação de Culturas com Arroz e Soja
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    Inovações na Agricultura: Diversificação com Cereais de Inverno

    O segundo dia da programação técnica da Embrapa, na 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, foi marcado pela realização do painel ‘Diversificação de Culturas: Inverno e Verão’. O evento, que ocorre entre os dias 24 e 26 de fevereiro na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão/RS, trouxe à tona a importância de cultivos alternativos, como cereais e oleaginosas, além de discutir a descarbonização da soja em relação à cultura do arroz.

    A primeira palestra do dia apresentou as inovações técnicas no portfólio de cereais de inverno da Embrapa Trigo, destacando resultados significativos nas lavouras. O engenheiro agrônomo Giovani Faé enfatizou a resiliência que a introdução do trigo e triticale pode oferecer em áreas onde a soja enfrenta desafios de drenagem. Ele citou exemplos de propriedades em Eldorado do Sul e Capivari do Sul, onde os produtores têm colhido cerca de 96 sacas por hectare na soja após a plantação de trigo e triticale.

    André Andrés, pesquisador da Embrapa, também palestrou sobre as dificuldades dos cultivos de inverno em terras baixas. Em sua apresentação, ele mencionou que a pesquisa está investindo em cultivares de trigo que superam a produção de 6 mil kg por hectare. “Desde 2021, temos realizado experimentos em mais de cinco hectares, conseguindo antecipar a época de semeadura para maio, com colheita programada para outubro. Embora possamos rotacionar com o arroz, nossos estudos indicam que a soja é a melhor opção devido ao seu ciclo produtivo”, explicou. Andrés destacou a agilidade que a rotação proporciona, permitindo que o agricultor colha a soja e plante o trigo no dia seguinte, otimizando assim tempo e recursos.

    Carinata: Uma Cultura Promissora

    No período da manhã, o cultivo da carinata foi abordado em uma palestra do especialista Phillip Herbst Minarelli, da Nufarm Brasil. Ele discutiu os desafios futuros da sustentabilidade agrícola e apresentou um panorama sobre o uso de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), além de detalhar o ProBioQAV, um programa nacional voltado para combustíveis sustentáveis. Minarelli destacou as políticas públicas de descarbonização e como elas impactam o cultivo da carinata, que se sobressai por sua resistência a condições adversas, como calor, seca, geadas e debulha.

    Ele explicou que a carinata não só gera uma maior quantidade de palhada, mas também contribui para a redução de nematoides. Além disso, diferentemente da canola, que é direcionada para a produção de óleo alimentar, a carinata é voltada para a produção de combustíveis sustentáveis, reforçando sua relevância na diversificação de culturas durante o inverno.

    Rumo à Sustentabilidade: Programa Soja Baixo Carbono

    Ainda pela manhã, a pesquisadora Roberta Monteiro, da Embrapa Soja, apresentou o Programa Soja Baixo Carbono, uma iniciativa que visa promover a soja cultivada de maneira sustentável, empregando práticas que minimizam a emissão de gases de efeito estufa. Durante sua apresentação, Monteiro destacou a certificação que garante que a soja brasileira é produzida com técnicas que reduzem as emissões ao longo de todo o processo agrícola.

    Ela também enfatizou a contribuição das atividades agropecuárias para as emissões globais de gases, ressaltando que, segundo suas análises, esse impacto ainda é relativamente baixo. A palestra ainda abriu espaço para discussões sobre como as iniciativas de descarbonização podem ser adaptadas à cultura do arroz, ampliando assim a perspectiva de sustentabilidade na agricultura brasileira.

    cereais de inverno Embrapa Alimentos e Territórios rotação de culturas sustentabilidade agrícola
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