Reconhecimento ao legado cultural de Celso Brandão
Na próxima sexta-feira (09), às 19h, a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) realizará uma cerimônia especial na Associação Comercial, em Maceió, para conceder o título de doutor honoris causa ao professor, fotógrafo e cineasta alagoano Celso Brandão. A homenagem, proposta pelo professor Odilon Máximo de Morais e aprovada pelo Conselho Superior da instituição, reconhece a significativa contribuição do artista ao cenário cultural e artístico do estado.
Trajetória marcada pela arte e ensino
Celso Brandão, com 75 anos, é formado em Comunicação Visual pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possui especialização em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais pela Universidade Candido Mendes. Durante três décadas, dedicou-se ao ensino da fotografia nos cursos de Arquitetura e Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), formando gerações de profissionais na área.
Ao longo de mais de cinquenta anos, Brandão construiu uma produção artística reconhecida nacionalmente, que destaca aspectos da cultura nordestina, especialmente manifestações e pessoas de Alagoas. Suas fotografias, exposições, publicações e filmes se tornaram referências para a valorização do patrimônio cultural local.
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Fonte: soupetrolina.com.br
Exposições e publicações de destaque
Entre as exposições mais notáveis de Celso Brandão estão “Argueiro, um cisco no olho”, apresentada na Galeria Fotóptica, em São Paulo, em 1993; “Canudos”, no Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, em 2002; e “Boîte noire”, na Maison Européenne de la Photographie, em Paris, em 2016. Também realizou exposições em espaços culturais de Alagoas, como a Pinacoteca Universitária da Ufal e a Galeria do SESC Centro, reforçando sua presença na cena artística local.
Autor de mais de 20 publicações, Brandão trabalhou em livros que exploram a arte popular e a cultura tradicional, como “Carrapicho: cerâmica e arte”, “Memento”, “Caixa Preta” e “Ilha do Ferro”. Seus textos e imagens ajudam a preservar e divulgar as manifestações culturais da região.
Produção audiovisual e legado
Desde 1974, Celso Brandão produziu dezenas de filmes, entre eles “Guerreiros das Alagoas” (1984), “Papa Sururu” (1990) e “Bobos de Tatuamunha” (2012). Muitos desses trabalhos estão disponíveis para o público no site www.vimeo.com/estreladonorte/videos, ampliando o acesso à cultura alagoana.
O artista destaca como suas obras mais representativas os filmes “O Ponto das Ervas” e “Memória da Vida e do Trabalho”, além dos livros “Caixa-Preta” e “Ilha do Ferro” e as exposições “Caixa-Preta”, em Paris, e “Argueiro, um cisco no olho”, em São Paulo.
Valorização da cultura popular local
Odilon Máximo, reitor da Uneal, ressalta que a trajetória de Celso Brandão vai além da produção artística, destacando seu papel como formador e divulgador da cultura popular alagoana. “Conceder esse título ao Celso é reconhecer a importância dos alagoanos que produzem conhecimentos e saberes, valorizando e dando voz à cultura popular local”, afirma.
Essa homenagem reforça o compromisso da Uneal em reconhecer e fomentar o patrimônio cultural de Alagoas, celebrando artistas que mantêm viva a tradição e a identidade regional, aproximando o público das riquezas culturais que permeiam o cotidiano da população.

