A Companhia que Encanta e Preserva a Cultura Popular
Com um repertório vibrante e um legado que se aproxima das cinco décadas, a Carroça de Mamulengos, originária de Juazeiro do Norte, no Ceará, trouxe uma pitada de cor e alegria ao Festival de Curitiba. O grupo, que já se tornou referência na arte do teatro de bonecos, apresentou o espetáculo “Histórias de teatro e circo” no Teatro Bom Jesus, em Curitiba. As apresentações, realizadas na quarta e na quinta-feira, surpreenderam o público e marcaram a primeira semana do festival, que teve início na última segunda-feira (31 de março) e se estenderá até 12 de abril.
No palco, três gerações da família se revezam, trazendo à vida textos leves e divertidos que são entrelaçados por manipulação de bonecos, músicas populares e pequenas esquetes. A peça é uma celebração da tradição, apresentando uma rica mistura de culturas populares que encantaram os espectadores. Carlos Gomide, fundador da Carroça de Mamulengos, aos 70 anos, divide o palco com a ex-esposa, a atriz Shirley França, e sete dos oito filhos do casal, além de seus netos — incluindo a pequena Maia, que com apenas 6 meses de vida, passa o espetáculo no colo da avó.
As crianças do elenco — Iara (14), Ana (12), Helena (7), Martin (6), Naia (5), Liana (4), Luna (3) e Amari (2) — impressionam com sua desenvoltura e noção de palco. Elas conseguem cativar o público com performances que transmitem a pureza e a alegria da infância. Os bonecos, por sua vez, também têm seu papel fundamental, ganhando vida em cena e trazendo personagens como Benedito, Veadinho Galheiro, Boi Soberano, Jaraguá Rosa e seu filhote, Jaraguá Florinda. Esses personagens encantadores fazem parte de um universo criativo que foi idealizado por Gomide, que é conhecido como Carlos Babau.
Carlos Gomide tem suas raízes em Rio Verde, Goiás, e iniciou sua trajetória no teatro em Brasília, em 1975. Sua paixão pela arte se intensificou em 1977, quando teve a oportunidade de conhecer o grupo Mamulengo Sorriso, de Olinda, que apresentava um espetáculo que representava o teatro mamulengo — uma forma única e icônica de teatro de bonecos que se originou em Pernambuco. Essa experiência foi um divisor de águas para Gomide, que desde então dedicou sua vida à propagação e à preservação dessa forma de arte tão rica e significativa na cultura brasileira.

