A Importância do Carnaval para a Economia
O Carnaval, que antes era considerado apenas uma festividade cultural, consolidou-se como uma atividade vital para a economia brasileira. Segundo estimativas, a festa deverá movimentar cerca de R$ 18,6 bilhões em 2026, conforme projeções de entidades ligadas ao comércio e ao turismo. Esse montante representa um impacto significativo na geração de empregos, no aumento da renda e na dinamização de diversas cadeias produtivas que se beneficiam desse evento popular.
O crescimento da festividade é notável. Em diversos estados e cidades, o Carnaval já ultrapassa os dias oficiais, com comemorações que se iniciam em janeiro e se estendem até o período oficial. Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Olinda atraem turistas e fortalecem a circulação de dinheiro ao longo de semanas.
O Que Impede Maceió de Aproveitar Esse Potencial?
Diante desse cenário promissor, surge a questão: se o Carnaval é benéfico para a economia de tantas cidades, por que Maceió e Alagoas não aproveitam essa oportunidade? Nos últimos 20 anos, a capital alagoana abraçou um discurso promovido por setores da hotelaria, que a posiciona como uma ‘cidade para descansar’. Essa narrativa, defendida por representantes empresariais e sustentada por fortes lobbies, influenciou diversas gestões municipais, levando à escolha de secretários de turismo vinculados aos interesses do setor hoteleiro.
As prévias carnavalescas, realizadas de maneira controlada, não geram incômodo aos empresários do setor. Entretanto, a proposta de revitalizar o Carnaval nos dias oficiais é frequentemente rejeitada. A opção política tem sido a de esvaziar o Carnaval como um evento central na cidade.
Consequências Econômicas da Escolha Política
A escolha de minimizar o Carnaval traz consequências econômicas visíveis. Apesar de ser conveniente para uma parte do setor hoteleiro, essa decisão é prejudicial para muitos outros segmentos da economia urbana. Estabelecimentos como bares e restaurantes enfrentam queda nas vendas, a indústria de bebidas perde mercado, músicos ficam sem trabalho, e trabalhadores informais, como ambulantes, taxistas e motoristas de aplicativo, perdem uma das oportunidades de renda mais lucrativas do ano.
Quando essas perdas não são levadas em consideração nas discussões públicas, o debate se afasta da lógica econômica e adentra um campo em que interesses restritos dominam, em detrimento do desenvolvimento econômico da cidade e do estado.
Desmistificando o Argumento Contra o Carnaval
O argumento de que o Carnaval pode ‘incomodar’ os hóspedes não se sustenta diante da realidade. As principais cidades turísticas do Brasil convivem com festas populares vibrantes sem que isso desestimule a visitação. Na verdade, em muitos casos, o Carnaval é o principal atrativo.
Em 2025, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projetou que o Carnaval gerou cerca de R$ 104,46 milhões para a economia alagoana, abarcando os setores de comércio, serviços e turismo. Se mantivermos a tendência de crescimento anual de 10% para 2026, como prevê a CNC, o impacto econômico da festa no estado poderá atingir aproximadamente R$ 115 milhões.
Estimativas para Maceió e o Futuro da Cidade
Considerando que Maceió concentra a maior parte da infraestrutura turística e o fluxo de visitantes de Alagoas, podemos estimar que cerca de 60% desse total se concentre na capital. Isso representaria um impacto financeiro próximo de R$ 69 milhões em Maceió durante o Carnaval de 2026, de acordo com dados e projeções da CNC.
Ignorar esse potencial significa não apenas perder oportunidades, mas também adotar um modelo de cidade que exclui trabalhadores, empobrece a vida cultural e abdica conscientemente de uma fonte relevante de dinamização econômica.
Um Debate Necessário
Portanto, a discussão sobre o Carnaval em Maceió vai além de barulho ou incômodos. Trata-se de um debate substancial sobre o projeto de cidade, o modelo econômico adotado e, essencialmente, sobre para quem está sendo governada a cidade. A relevância do Carnaval para a economia de Maceió não pode ser subestimada, e a cidade precisa reconsiderar sua posição em relação a essa importante festividade.

