Ação em Defesa da Reforma Agrária
Na manhã desta quarta-feira (15), a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Maceió foi ocupada por aproximadamente 400 camponeses e camponesas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O ato faz parte da Jornada de Lutas em Defesa da Reforma Agrária em Alagoas e visa denunciar a falta de avanços nas políticas agrárias promovidas pelo INCRA no estado.
“Viemos ao INCRA mais uma vez para lembrar à superintendência as demandas dos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária”, relatou Renildo Gomes, membro da coordenação nacional do MST. Ele ressaltou que o objetivo é apresentar novamente um conjunto de pautas que precisam ser discutidas e que visam trazer melhorias nas condições de vida e trabalho dos trabalhadores rurais.
Conforme Renildo, as reivindicações incluem aspectos fundamentais para o fortalecimento da produção de alimentos saudáveis e a garantia de infraestrutura básica nos assentamentos. Ele destacou a urgência em resolver questões sobre áreas que estão em risco de despejo em Alagoas, afirmando que a lentidão na resolução das questões relacionadas à Reforma Agrária já se arrasta há anos na superintendência do INCRA local.
“Nossas necessidades básicas estão ligadas ao desenvolvimento do campo em Alagoas, onde defendemos que as pessoas possam produzir alimentos saudáveis e viver com dignidade”, completou o coordenador do MST. O movimento conta com o apoio de várias organizações, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Frente Nacional de Luta (FNL), o Movimento Popular de Luta (MPL) e o Movimento Via do Trabalho (MVT).
Com um acampamento montado dentro do prédio do INCRA, os manifestantes afirmam que permanecerão no órgão até que suas demandas sejam ouvidas e atendidas pela superintendência. “Estamos enfrentando uma situação muito delicada em Alagoas, com um superintendente que permaneceu no cargo desde a gestão de Bolsonaro, o que é uma vergonha para nosso estado e para o país”, enfatizou Marcos Marron, da coordenação da FNL.
Memória do Massacre de Eldorado dos Carajás
A Jornada de Lutas não apenas clama por avanços na Reforma Agrária, como também homenageia os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, que ocorreu em 1996, no Pará. Nesse trágico evento, 21 integrantes do MST foram assassinados pela Polícia Militar durante um protesto em busca de melhorias nas políticas agrárias.
A data de 17 de abril, marcada pela violência do massacre, se transformou em um símbolo de resistência e luta camponesa, sendo reconhecida internacionalmente como o Dia da Luta Camponesa. O episódio ocorreu quando mais de 1.500 trabalhadores rurais estavam acampados na região e realizaram uma marcha obstruindo a PA-150, em um protesto pacífico contra a morosidade na Reforma Agrária. Sob a ordem do secretário de segurança pública na época, o coronel responsável pela operação agiu com violência, resultando em mortes a queima-roupa e ações cruéis de repressão.
Assim, a mobilização em Maceió não apenas busca melhorias para os trabalhadores rurais alagoanos, mas também resgata a memória de todos aqueles que perderam suas vidas na luta por dignidade e justiça social no campo.

