Redução de Cargas no Porto de Maceió
O Porto de Maceió movimentou, em 2025, cerca de 2,2 milhões de toneladas de cargas, incluindo produtos importados e exportados, tanto em granéis líquidos quanto sólidos. Este número representa uma queda de aproximadamente 20% em relação ao total de 2024, quando foram registradas 2,6 milhões de toneladas no cais de Jaraguá. A administração do porto ainda não divulgou o balanço oficial do ano, mas a análise preliminar indica uma diminuição de mais de 440 mil toneladas em comparação com o ano anterior.
Conforme informações disponíveis no site da Administração do Porto de Maceió, a movimentação total em 2024 foi de 2.677.581 toneladas, enquanto em 2025, o total chegou a 2.225.632 toneladas. Dentre os produtos que apresentaram a maior redução, destaca-se a importação de sal pela Braskem, que utiliza o mineral para a produção de cloro/soda em sua unidade localizada no Pontal da Barra, em Maceió.
Impacto das Restrições sobre as Importações
A Braskem, desde 2020, passou a importar sal do Chile após a proibição de extração de sal-gema em Maceió, imposta pela Justiça devido a problemas ambientais relacionados ao afundamento do solo em diversos bairros da cidade. Nos últimos seis anos, a empresa importou mais de 2,2 milhões de toneladas de sal, com um aumento gradual das importações, até que, em 2025, essa quantidade caiu para apenas 170.552 toneladas.
A trajetória das importações de sal pela Braskem é clara: em 2020, foram 102.210 toneladas; em 2021, cerca de 336 mil toneladas; em 2022, pouco mais de 515 mil toneladas; em 2023, mais de 548 mil toneladas; e em 2024, aproximadamente 554 mil toneladas. O ano de 2025, no entanto, foi marcado pela drástica redução de importação, refletindo o encerramento das atividades da petroquímica em Maceió.
Desativação da Fábrica e Consequências
A desativação da unidade fabril da Braskem no Pontal da Barra, que operava desde os anos 70, comprometeu a compra de sal, resultando na importação reduzida. Segundo informações do Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE), a fábrica está sucateada e não possui condições de continuar operando sem uma manutenção completa. A alta dos custos de importação também pesou na decisão da empresa em encerrar as atividades em Maceió, que agora se concentra em armazenar dicloroetano (DCE) na unidade.
Transformação da Unidade e Questões Ambientais
Empregados da Braskem relataram que a unidade do Pontal da Barra pode ser transformada em um depósito de dicloroetano, um composto químico altamente tóxico. Apesar dos rumores, a empresa nega essa transformação e a continuidade da produção de cloro/soda. O dicloroetano é uma substância controlada, que exige rigoroso manuseio em ambientes industriais.
A Braskem também enfrentou críticas e protestos relacionados à busca por areia para tamponar as cavidades deixadas pela extração de sal-gema, resultando em crimes ambientais em diversos municípios de Alagoas. O Ministério Público Federal (MPF) atuou para suspender a extração em algumas áreas, levando a empresa a importar areia da Bahia. Entretanto, os altos custos da importação forçaram a Braskem a voltar a adquirir areia de fornecedores locais licenciados.
O Futuro do Porto de Maceió
A situação do Porto de Maceió, que já enfrentou desafios significativos, agora deve lidar com os impactos diretos da desativação da Braskem. A redução na movimentação de cargas, especialmente de produtos cruciais como sal e areia, sinaliza um momento de transformação e adaptação para a economia local. A expectativa é que a administração do porto busque alternativas para diversificar suas operações e recuperar a movimentação de cargas nos próximos anos.

