Show Marcante e Repleto de Emoção
“Não sabia o que esperar, não sabia que teria tanta gente linda aqui”, declarou Bad Bunny em espanhol, ao iniciar sua apresentação no Brasil. Com um toque especial, seu violonista apresentou uma versão instrumental de “Garota de Ipanema”. Em seguida, o cantor, emocionado, trocou algumas palavras em português: “Estou muito feliz. Finalmente realizei meu sonho de visitar o Brasil. Obrigado por isso”.
A performance foi dividida em atos bem delineados, embora previsíveis em alguns momentos. Seguindo uma prática comum entre outros popstars, Bad Bunny reservou um espaço em seu setlist para uma faixa exclusiva em cada show. Assim, no final da segunda parte, ele deixou todos animados com a eletrizante “Vete”.
O espetáculo teve início e término no palco principal, mas perdeu um pouco do seu ritmo quando as músicas foram apresentadas na “Casita”. Essa estrutura secundária, que simula uma varanda de uma casa porto-riquenha, foi criada para oferecer uma festa de rua intimista. Vestido com o uniforme completo da seleção brasileira, campeão mundial em 1962, o artista entregou uma sequência vibrante de danças que incluiu sucessos como “Yo Perreo Sola” e “Tití Me Preguntó”.
Entretanto, essa parte do show gerou certa controvérsia. Quem não conseguiu um bom lugar na grade para observar a apresentação de perto, mal conseguia ver o que acontecia, devido à altura do palco da “casinha”. A maioria dos fãs teve que se contentar em assistir pela telona, mas a situação melhorou quando Bad Bunny subiu a escada e se dirigiu ao teto do espaço.
Músicos e Arranjos Requintados
Fora da “casinha”, a qualidade sonora, com arranjos ao vivo, trouxe uma nova perspectiva às canções da primeira parte do show. Com a companhia de 17 músicos, incluindo um sexteto de sopro e um quarteto de vocalistas de apoio, a apresentação ganhou um corpo vibrante e bem equilibrado, especialmente na última parte do set que ainda trouxe uma versão instrumental de “Mas que nada”, de Sergio Mendes.
Por trás do artista mais ouvido no Spotify nos últimos anos, encontramos Benito Antonio Martínez Ocasio, que teve uma infância marcada entre os skates e as missas em Porto Rico. Seu início de carreira, focado no reggaeton, foi ampliado nos últimos anos, especialmente após o sucesso do álbum “Un Verano Sin Ti” (2022). Nele, o artista explorou uma fusão de estilos, desde o reggaeton, caracterizado por um rap mais arrastado e melancólico, até ritmos eletrônicos e nuances de salsa.
Bad Bunny é conhecido por suas posições políticas e por defender os direitos LGBT, frequentemente abordando temas relevantes durante premiações como o Grammy. Contudo, no palco, sua mensagem foi mais sutil. “Este show se trata da união do Brasil com Porto Rico e a América Latina”, ele comentou antes de apresentar o hit “Baile Inolvidable”, ressaltando que a noite era para “dançar, brincar, rir e chorar”. Ele voltou a enfatizar essa união, agradecendo ao público: “Nunca vamos nos esquecer desta noite. Obrigado por receberem a cultura de Porto Rico… nós somos brasileiros e vocês são porto-riquenhos”.
Referências e Momentos Inesquecíveis
A paixão de Bad Bunny por bandas como Blink 182 e Linkin Park é visível em sua postura de rockstar. O show teve ainda momentos mais lentos, como a interpretação de “Si Veo a Tu Mamá”, que trouxe a melodia de “Garota de Ipanema” como pano de fundo, enquanto ele expressava sentimentos sobre um amor não superado.
O álbum “YHLQMDLG”, lançado em 2020, teve seu espaço garantido no setlist, ganhando mais destaque do que seu trabalho anterior, “nadie sabe lo que va pasar mañana”. A fase mais sombria e introspectiva do artista foi quase deixada de lado, enquanto a energia contagiante de “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” dominava a apresentação. Desde os memoráveis shows do RBD, não se via um espetáculo cantado em espanhol tão bem recebido no Brasil.

