Pedido para Excluir Yábloko das Eleições
Aliados do governo russo avançam na tentativa de impedir que o Yábloko, único partido registrado que se posiciona contra a guerra na Ucrânia, participe das eleições legislativas previstas para setembro. O Supremo Tribunal da Rússia anunciou que avaliará uma ação proposta pelo Ródina, partido nacionalista pró-Kremlin, que solicita a exclusão do Yábloko da disputa.
O líder do Ródina, Alexei Zhuravlev, acusa o Yábloko de agir sob influência ocidental para deslegitimar o processo eleitoral e a própria Rússia. Em vídeo divulgado, Zhuravlev chamou os membros do Yábloko de “traidores da pátria” e defendeu que não devem ocupar espaços na Duma, a Câmara dos Deputados russa, nem no país. A agência Reuters observou que o tom das declarações é particularmente agressivo mesmo dentro do ambiente político russo, marcado pela repressão a críticos do Kremlin.
Reação do Yábloko e Consequências Políticas
O Yábloko anunciou que pretende abrir processo contra Zhuravlev por difamação. Seu líder, Nikolai Rybakov, afirmou que a legenda sofre essa perseguição justamente por defender o fim da invasão ordenada pelo presidente Vladimir Putin. “Querem nos tirar das eleições por defender a paz, enquanto eles buscam prolongar indefinidamente a tragédia da guerra”, disse Rybakov.
O Supremo Tribunal deve julgar o pedido na segunda-feira, 10. Caso a ação seja acatada, o Yábloko poderá ser impedido de lançar candidatos para a Duma em setembro, o que limita a presença da oposição oficial contra a guerra no Parlamento.
Yábloko: A Única Força Legalmente Antiguerra
Desde sua criação em 1993, o Yábloko se mantém como a única legenda registrada que defende publicamente o cessar-fogo com a Ucrânia. A sigla pretende aproveitar a campanha eleitoral para ampliar sua voz e demonstrar que existe resistência interna à continuação do conflito. Apesar disso, o partido tem pouca representação institucional e não elege deputados para a Duma desde 2003.
Os dirigentes do Yábloko destacam que a oposição à guerra tem atraído principalmente o público jovem. Cerca de um terço dos aproximadamente 400 candidatos apresentados têm menos de 30 anos, conforme levantamento da AFP. Uma pesquisa do instituto Levada indica que 64% dos russos apoiam negociações de paz com Kiev, percentual que sobe para 78% entre jovens de 18 a 24 anos. O Levada, porém, é classificado pelo governo russo como “agente estrangeiro”.
Contexto Político e Próximos Movimentos
O partido Rússia Unida, base política do presidente Vladimir Putin, segue como favorito para manter o controle da Duma. A expectativa é que conquiste a eleição com facilidade. A decisão do Supremo Tribunal sobre a permanência ou exclusão do Yábloko marcará um importante capítulo na disputa institucional e no controle das narrativas políticas dentro da Rússia.

