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    Início»Política»Vorcaro Afirma à PF Que Não Usou Influência Política em Seus Negócios, Apesar de Laços com Centrão e Partidos Tradicionais
    Política

    Vorcaro Afirma à PF Que Não Usou Influência Política em Seus Negócios, Apesar de Laços com Centrão e Partidos Tradicionais

    25 de janeiro de 2026
    Vorcaro Afirma à PF Que Não Usou Influência Política em Seus Negócios, Apesar de Laços com Centrão e
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    Vorcaro Se Pronuncia Sobre Relações Políticas

    O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que não utilizou influência política nas suas transações comerciais e que não fez uso de suas relações com autoridades para obter benefícios. No entanto, o banqueiro é conhecido por seus laços estreitos com lideranças do centrão e já contratou consultores próximos ao PT e ao MDB, conforme informações apuradas.

    O depoimento de Vorcaro ocorreu em 30 de dezembro do ano passado no Supremo Tribunal Federal (STF), durante o inquérito que investiga possíveis irregularidades relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

    Segundo o banqueiro, os vínculos que estabelece com autoridades e líderes partidários são de natureza institucional ou derivam de amizades pessoais. Ele contestou reportagens que sugeriam a utilização de influência política nas operações financeiras do banco, alegando que sua situação jurídica atesta a ausência de qualquer facilitação em suas atividades.

    Vorcaro destacou que, se realmente tivesse buscado apoio político, não teria enfrentado a recusa em sua proposta de negociação com o BRB, nem estaria usando uma tornozeleira eletrônica, ou enfrentando prisão — ele foi liberado poucos dias após sua detenção.

    Por meio de festas luxuosas e do financiamento de eventos, o banqueiro se aproximou de figuras influentes como o senador Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e Alexandre de Moraes, ministro do STF. Essas conexões foram mencionadas em reportagens da Folha.

    Além disso, o Banco Master contratou consultores estratégicos como Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda em governos do PT. Mantega foi responsável por facilitar um encontro entre Vorcaro e o presidente Lula.

    A relação do BRB com o cenário político é igualmente relevante. O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi aliado de Ciro Nogueira durante anos. A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, é integrante do PP, partido liderado por Nogueira.

    Ambos, Celina e o governador Ibaneis Rocha, buscam apoio do União Brasil para as eleições de 2026, com Celina almejando a candidatura ao governo do DF e Ibaneis ao Senado.

    Em um questionamento da Polícia Federal sobre os parlamentares que costumavam visitar sua residência, Vorcaro admitiu ter amizades em diversas esferas do poder, mas se negou a revelar nomes específicos. Ele reiterou que essas relações pessoais são independentes do caso que envolve o BRB.

    “Eu tenho amigos de todos os Poderes. Não consigo nomear quem frequenta minha casa. Também não vejo relação com o caso”, afirmou o banqueiro.

    Além disso, Vorcaro negou ter solicitado qualquer tipo de intervenção política, seja de ministros ou parlamentares, junto ao Banco Central ou ao BRB, tanto para a venda do Banco Master quanto para assegurar a continuidade das cessões de carteiras de crédito.

    Entretanto, ele confirmou que teve um contato esporádico com o governador Ibaneis Rocha (MDB) em algumas ocasiões sobre a venda da instituição ao BRB. “Ele já esteve na minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e nos encontramos algumas poucas vezes. Foram encontros institucionais, com a presença de outras pessoas”, completou Vorcaro.

    O banqueiro também afirmou que nem ele nem o Banco Master fizeram doações eleitorais ou contribuições a partidos políticos relacionados a autoridades do Distrito Federal entre 2022 e 2025. Ele esclareceu que o banco participou apenas de eventos de debate institucional, onde poderia haver a presença de autoridades públicas, mas sem qualquer intenção de favorecimento político.

    Com mandados de busca e apreensão realizados em novembro, a investigação se concentra na possível pressão de políticos para que o BRB decidisse comprar o controle do Banco Master e carteiras de crédito consideradas fraudulentas.

    Fontes envolvidas na investigação indicam que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, possivelmente tinha conhecimento de que as carteiras de crédito consignado do Master eram falsas, mesmo assim teria autorizado a aquisição de cerca de R$ 12,2 bilhões. A movimentação financeira, considerada injustificada, teria se iniciado antes mesmo do anúncio da compra do Master pelo BRB, em março deste ano, e continuado até maio. Deste montante, R$ 6,7 bilhões seriam contratos falsos e R$ 5,5 bilhões representariam prêmios, valor que supostamente a carteira deveria valer, acrescido de um bônus.

    A investigação considera improvável que a presidência do BRB não tenha conhecimento de uma manobra considerada grosseira, refutando a alegação de boa-fé, uma vez que a aquisição das carteiras fraudulentas continuou mesmo após o anúncio da compra de 58% do Banco Master.

    Aedes aegypti Centrão CPMI Banco Master Daniel Vorcaro influência política MDB
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