Contexto das Eleições Indiretas
A situação política do Rio de Janeiro em 2026 pode encontrar um paralelo significativo com o que ocorreu em Alagoas quatro anos atrás. Em 2020, a renúncia do governador Renan Filho (MDB), que não contava com um vice, resultou em uma eleição indireta pouco antes das eleições gerais. A oposição ao então governador questionou judicialmente o processo adotado pela Assembleia Legislativa, o que acabou gerando um atraso na escolha do substituto, Paulo Dantas, para o mandato-tampão.
Com um controle substancial, a Assembleia alagoana, sob a liderança de aliados de Renan Filho, estava em posição favorável para eleger Dantas assim que o governador renunciou, no início de abril. Contudo, os partidos PP, liderado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e o PSB, sob a batuta do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a eleição, alegando irregularidades na legislação que regia o processo.
Esse impasse se estendeu por cerca de duas semanas, e a votação inicialmente programada para o primeiro dia útil de maio foi adiada para o dia 15, após a Assembleia aceitar uma ordem do STF para revisar as normas eleitorais. Um dos ajustes exigidos pela corte foi a obrigatoriedade de os candidatos atenderem aos critérios da Lei de Inelegibilidades, que determina, por exemplo, que candidatos ao governo devem desocupar outros cargos no Executivo por seis meses antes das eleições. No entanto, em Alagoas, essa regra teve pouco impacto, uma vez que a maioria dos principais candidatos eram deputados estaduais, que não estavam afetados pela restrição.
Implicações para o Cenário Carioca
No Rio de Janeiro, a aplicação de critérios semelhantes poderia, potencialmente, excluir da corrida eleitoral os nomes que hoje despontam como favoritos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Entre eles, destacam-se os secretários estaduais Nicola Miccione e Douglas Ruas, assim como o deputado federal André Ceciliano.
Além disso, o STF também estipulou que, no contexto de uma eleição indireta, as chapas deveriam ser compostas por um governador e um vice, ao passo que a legislação original da Assembleia permitia candidaturas avulsas para cada cargo. Essa interpretação da corte buscou simplificar o processo, eliminando a necessidade de convenções partidárias para a seleção dos candidatos, um fator que poderia complicar ainda mais a realização da votação.
A experiência de Alagoas oferece, portanto, uma visão crucial do que pode estar por vir no Rio. A análise da legislação e dos precedentes pode ajudar a moldar um cenário mais transparente e eficiente nas futuras eleições indiretas, evitando os entraves que ocorreram no passado e garantindo que o processo respeite as regras estabelecidas, sem prejuízo à agilidade necessária para a escolha dos novos líderes.

