O Novo Papel dos Suplentes no Senado Alagoano
A recente dinâmica política em Alagoas trouxe um novo foco sobre a figura do suplente de senador, um personagem que até recentemente passava despercebido pelo eleitorado. As transformações na bancada alagoana no Senado revelaram que essa função vai muito além de um mero simbolismo; ela se tornou estratégica e capaz de influenciar decisivamente os rumos políticos e a consolidação de grupos de poder.
Um exemplo notório dessa nova realidade é Rodrigo Cunha, do Podemos, que deixou sua posição no Senado para assumir a vice-prefeitura de Maceió. Essa movimentação tinha como pano de fundo a possibilidade de Cunha assumir a prefeitura caso o atual prefeito JHC, do PL, renunciasse para se candidatar a um cargo maior. A vaga que ficou em aberto foi ocupada por sua suplente, Dra. Eudócia Caldas, do PL, que é mãe do prefeito, demonstrando como a ausência de um titular pode transferir visibilidade e influência para o suplente.
Outro caso emblemático foi o de Renan Filho, eleito senador e rapidamente nomeado Ministro dos Transportes. Sua saída para o Executivo federal abriu espaço para Fernando Farias, também do MDB, que assumiu sua cadeira no Senado. Essa mudança reforçou a presença dos aliados do governo alagoano em Brasília, mostrando que as suplências têm um papel central na articulação política.
A partir desses acontecimentos, ficou evidente que os suplentes deixaram de ser meros “coadjuvantes eleitorais” para se tornarem protagonistas nas negociações políticas. A ausência temporária ou definitiva de um senador titular, seja por renúncia, licença ou nomeação, pode transferir um considerável poder ao suplente.
Perspectivas para as Eleições de 2026
Com as eleições de 2026 se aproximando, a disputa pelas duas vagas ao Senado promete ser acirrada. Entre os nomes considerados potenciais candidatos estão Arthur Lira (PP), Alfredo Gaspar (União Brasil) e Davi Davino Filho (Republicanos), todos alinhados à oposição do governo estadual. No entanto, os movimentos entre os aliados do governo ainda permanecem discretos e indefinidos.
Além disso, a atenção também se volta para quem ocupará as suplências nas chapas irem disputadas. Essa posição pode garantir um mandato efetivo sem a necessidade de uma vitória direta nas eleições.
Marina Candia: Uma Nova Promessa Política
Nos bastidores, um dos nomes que mais ganha destaque é o da primeira-dama de Maceió, Marina Candia, de apenas 35 anos. Sem histórico anterior de candidaturas, ela desponta como um fenômeno político recente, muito por sua presença digital robusta — são mais de 400 mil seguidores no Instagram — e por estar diretamente ligada ao poder político de JHC.
Inicialmente cotada para uma vaga na Câmara dos Deputados, Marina começou a aparecer em levantamentos de intenção de voto para o Senado, liderando cenários e ultrapassando figuras tradicionais como Renan Calheiros e Arthur Lira. Se decidir concorrer e for eleita, ela poderá garantir uma das vagas sob a influência da família Caldas, já que Eudócia Caldas, sua antecessora, deve abrir mão da reeleição.
Marina reconhece estar avaliando a possibilidade de candidatura, mas ressalta que a decisão será conjunta com o grupo político de JHC. O lançamento de sua candidatura pode ser interpretado como uma forma de preservar acordos políticos sem expor diretamente o prefeito a uma renúncia.
Outros Nomes em Destaque
Além de Marina, outros nomes são mencionados como potenciais suplentes em chapas competitivas. Entre eles, destaca-se Luiz Romero Farias, médico e empresário, que já foi secretário de Saúde de Maceió. Filiado ao PP, ele é visto como um nome técnico, com uma trajetória de diálogo e articulação política.
Outro nome forte é Claydson Moura, conhecido como “Mourinha”, atual secretário municipal de Saúde, que ganhou projeção ao comandar a campanha de vacinação contra a Covid-19, colocando Maceió em evidência nacional. Ele é considerado um gestor com forte apelo técnico e social, e ambos, Romero e Mourinha, estão alinhados ao grupo político de JHC, podendo figurar como suplentes de Alfred Gaspar e Arthur Lira.

