Raízes Históricas da Política Externa dos EUA
A dinâmica da política externa dos Estados Unidos sempre esteve intrinsecamente ligada à sua história, marcada por episódios de colonização violenta. Essa trajetória, que remonta aos tempos das primeiras explorações inglesas e espanholas, deixou uma herança de beligerância que se reflete até hoje nas relações internacionais do país. O pragmatismo moral, que, de certo modo, desvincula a ação estadunidense de limites éticos e considerações humanitárias, parece ter se intensificado, distorcendo o antigo discurso “politicamente correto”.
A imponente força militar dos EUA, simbolizada pelo chamado “big stick”, continua a ser uma constante, enquanto a retórica pode variar conforme a necessidade política do momento. O conceito de “far west” transcende sua conotação histórica, representando uma ideologia de expansão e domínio que se legitima pela força e efetividade das ações. Como destacado pelo pensador Frantz Fanon, o colonizado muitas vezes acaba por reproduzir os interesses do colonizador.
Interesses Nacionais em Debate
Recentemente, a colaboração de políticos brasileiros de extrema-direita com a Casa Branca em questões que afetam a soberania nacional trouxe à tona as complexidades da política externa norte-americana. Por exemplo, a articulação de agricultores e exportadores brasileiros em busca de ajustes tarifários com a administração Trump destaca a intersecção entre interesses econômicos e políticas de domínio.
O respeito pelo “direito das gentes” é frequentemente imposto pela força, como demonstrado por eventos históricos, desde as conquistas romanas até a atualidade com os marines norte-americanos. A narrativa da “Conquista do Oeste” simboliza uma continuidade de ambições expansionistas que começaram muito antes da fundação dos Estados Unidos.
A Violência como Elemento Central
É crucial enfatizar que a violência é um elemento central na formação da identidade estadunidense. Casos como a ocupação territorial, a destruição de civilizações nativas e a escravidão representam capítulos sombrios da história que contribuem para a atual posição dos EUA no mundo. As guerras que se sucederam, em sua maioria, nunca foram travadas em defesa do território nacional, mas sim em busca de conquistas e expansão, como a guerra contra o México, que resultou na perda de mais da metade de seu território original.
Assim, a ascensão do trumpismo deve ser compreendida não como um fenômeno isolado, mas como parte de um padrão histórico mais amplo. Como já afirmava o filósofo Ernest Renan, a nação é construída sobre uma alma que reflete sua história.
O Imperialismo e Suas Implicações
O imperialismo estadunidense, em sua essência, é alimentado pela necessidade de crescimento contínuo do capitalismo monopolista. Lênin descreveu essa fase como uma fusão entre capital bancário e industrial, resultando em uma estrutura que demanda expansão constante em busca de mercados, recursos e territórios. O imperialismo não se limita à política externa, mas é uma consequência intrínseca do sistema capitalista.
A ascensão dos Estados Unidos como potência global se deu em um contexto histórico marcado pela decadência europeia e a transformação econômica interna. O pós-Segunda Guerra Mundial viu os EUA se consolidarem como os líderes do novo sistema monetário global em Bretton Woods, estabelecendo o dólar como a principal moeda de referência internacional. Essa hegemonia foi sustentada por instituições como o FMI e o Banco Mundial, que, ao lado da criação do GATT, moldaram a ordem econômica mundial.
A Nova Dinâmica Global
O cenário atual é marcado por uma disputa crescente entre as potências, com a China emergindo como um ator crucial no cenário econômico global. O país tem se destacado na coleta de patentes e na construção de infraestrutura em várias regiões do mundo, notadamente na África e na América Latina. O seu crescimento contínuo em ciência e tecnologia reforça seu papel como uma potência econômica que desafia a liderança dos EUA.
A necessidade de mercados para sustentar a economia chinesa é um fator crítico, que poderá influenciar a política externa do país. Por outro lado, a Rússia se mantém focada em suas prioridades locais, como o conflito com a Ucrânia, enquanto a relação com os EUA continua a ser complexa e necessária.
O Futuro da Política Internacional
Na arena internacional, a atuação dos EUA permanece central, mesmo enquanto enfrenta desafios crescentes de potências como a China. A estrutura militar robusta e a influência econômica ainda garantem sua posição, mas sinais de um possível esgotamento começam a emergir. O futuro da política externa dos Estados Unidos e sua capacidade de manter a hegemonia global dependem de uma resposta estratégica a essas novas dinâmicas, e da habilidade em articular interesses que possam garantir a estabilidade e segurança em um mundo cada vez mais multipolar.

