Uma Obra que Transcende Fronteiras
Uma impressionante peça de artesanato, confeccionada a partir do esqueleto de um bagre, que retrata a imagem de Cristo crucificado sem qualquer intervenção humana, conquistou reconhecimento internacional ao ser apresentada ao Papa Leão XIV pelo arcebispo de Maceió, Dom Beto Breis. Esta obra não apenas reflete a profunda herança cultural do interior de Alagoas, mas também carrega consigo um simbolismo de fé e história que ressoa com profundidade.
A história dessa criação remonta há mais de três décadas, quando um filho de pescador compartilhou com orgulho a descoberta de que uma imagem de Cristo podia ser vista na cabeça de um peixe bagre encontrado na Lagoa Manguaba, na cidade de Pilar. O relato ganhou testemunho do padre Ernesto, que, na época, atuava como pároco do município.
“Fiquei deslumbrado ao notar a presença de Cristo na cabeça do peixe. Mostrei a muitas pessoas e, ao observar com mais atenção, percebi que, ao girar a cabecinha do bagre, surgia um manto que associei à Virgem Maria. Assim, o padre iniciou um estudo e descobriu características únicas dessa espécie”, compartilhou o pescador, expressando sua admiração pela singularidade do peixe.
A peça artesanal exibe detalhes impressionantes: de um lado, a imagem de Jesus Cristo pregado na cruz e, do outro, a figura da Nossa Senhora, adornada com um manto sagrado e uma coroa que se formou naturalmente na estrutura do esqueleto. Além disso, alguns observadores identificam na obra representações da Santíssima Trindade e até formas que evocam asas de pássaros.
O Nascimento de uma Arte
O esqueleto do bagre ganhou vida artística através da primeira artesã a trabalhar com ele, Edith, que foi guiada pelo próprio padre. “Estava à frente da Pastoral da Criança quando o padre me apresentou ao Sr. Jorge, que me ensinou a preparar o peixe. Resolvi transformar o esqueleto em um objeto de arte, sem qualquer intervenção externa, utilizando apenas cuidados necessários para preservar sua essência”, revelou Edith, mantendo viva a tradição local.
Esta criação não é apenas um objeto de arte, mas um símbolo da fé e do patrimônio imaterial de Alagoas. Recentemente, a peça foi entregue pelo arcebispo Dom Beto Breis ao Papa Leão XIV, e as imagens do momento foram amplamente divulgadas pela Arquidiocese de Maceió. A artesã Márcia, que participou da confecção final, ressaltou a intenção por trás do presente: “Desenvolvi a peça com minúcia para representar nossa cultura e enviá-la ao Papa. Com quase 20 anos de experiência no artesanato, nunca imaginei que ela alcançaria tanta notoriedade”, destacou Márcia, um verdadeiro patrimônio vivo do Pilar.
Reconhecimento e Orgulho Local
O reconhecimento internacional trouxe um sentimento de orgulho e emoção entre as artesãs e os moradores do município. “Quando vi que a peça estava nas mãos do Papa, senti que era um grande legado cultural. Este momento é de gratidão e valorização do nosso trabalho”, declarou Edith, emocionada com a repercussão da obra.
Para aqueles que visitam Alagoas, a cidade de Pilar se tornou um destino imperdível para conhecer de perto a rica tradição do artesanato local. Localizada a cerca de 35 km de Maceió, a região oferece atrações como o Mirante da Lagoa Manguaba, igrejas históricas e uma variedade de lembranças culturais, incluindo o icônico artesanato do bagre, agora reverenciado até mesmo no Vaticano.

