Ministra da Cultura Lamenta a Perda de Manoel Carlos
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, expressou suas condolências neste sábado (10) pela morte do renomado autor Manoel Carlos, aos 92 anos. “Hoje, o Brasil se despede de um dos maiores nomes da dramaturgia nacional, o querido Manoel Carlos. Autor de personagens e histórias inesquecíveis, ele ajudou a construir a identidade da teledramaturgia brasileira”, afirmou Margareth.
“Sua obra vai seguir viva na memória e na cultura de todos nós! Meus sentimentos e solidariedade à família e amigos neste momento tão difícil”, completou a ministra.
A morte de Manoel Carlos foi confirmada por sua filha, Júlia Almeida, na noite de sábado, mas a causa não foi divulgada. Um comunicado da família informou que o velório será restrito a familiares e amigos íntimos, pedindo respeito e privacidade durante este momento delicado.
Um Legado Marcante na Televisão Brasileira
Manoel Carlos, conhecido carinhosamente como Maneco, deixa um legado impressionante com mais de 15 folhetins ao longo de sua carreira, especialmente nas novelas da TV Globo. Entre seus trabalhos mais memoráveis, destacam-se “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas” e “Por Amor”, além de “Baila Comigo”. Suas produções frequentemente trazem como cenário o Rio de Janeiro, com ênfase no elegante bairro do Leblon, e são conhecidas pelas protagonistas chamadas “Helenas”.
Desde 2014, o autor estava afastado das telinhas, após ser diagnosticado com Parkinson cerca de seis anos atrás. Manoel Carlos deixa sua esposa, Elisabety Gonçalves de Almeida, com quem estava casado desde 1981, e duas filhas, Júlia e Maria Carolina.
A Trajetória de Manoel Carlos
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida nasceu em 14 de março de 1933 em São Paulo, filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo de Almeida. Sua trajetória começou cedo, aos 14 anos, como auxiliar de escritório. No entanto, foi na Biblioteca Municipal de São Paulo que ele se juntou a um grupo de jovens que discutiam literatura e teatro, onde conheceu figuras como Fernanda Montenegro e Fernando Torres.
Embora tenha sido um grande autor, sua carreira na televisão começou como ator em 1951, quando participou do “Grande Teatro Tupi”. Ao longo da década de 1950, ele trabalhou em várias emissoras, como TV Record e TV Tupi, e se destacou como roteirista de programas de sucesso, incluindo “Chico Anysio Show” e “Hebe Camargo”.
Contribuições Notáveis para a Televisão
Em 1972, Manoel Carlos estreou na TV Globo como diretor do programa “Fantástico” e, em 1978, lançou sua primeira novela, “Maria, Maria”, baseada em um livro de Lindolfo Rocha. Porém, foi com “Baila Comigo”, em 1981, que ele deu início à famosa série de personagens chamadas Helena, com a atuação de Lilian Lemmertz.
Seu talento rendeu diversos sucessos como “Sol de Verão” (1982), “Felicidade” (1991), e “História de Amor” (1995), consolidando seu nome entre os mais respeitados da dramaturgia brasileira. Manoel também se aventurou em minisséries como “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009), além do icônico seriado “Malu Mulher” (1979).
Reconhecimento e Homenagens
A importância de Manoel Carlos para a cultura brasileira é inegável. Ele não apenas encantou o público com suas histórias, mas também influenciou gerações de roteiristas e diretores. O legado que deixa é um testemunho de sua arte e dedicação ao ofício, que continuará vivo na memória de todos que tiveram o privilégio de acompanhar suas produções na televisão.

